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terça-feira, 24 de julho de 2012


Grã-Bretanha tem maior risco de contágio da crise do euro

Relações comerciais e bancárias com o bloco de moeda única podem aumentar efeitos da crise externa

AGÊNCIA ESTADO
 
Londres - A Grã-Bretanha lidera a lista de economias externas com maior risco de ser contagiada por qualquer escalada na crise da zona do euro por causa de suas relações comerciais e bancárias com o bloco de moeda única, mostrou um estudo do instituto de risco político Maplecroft divulgado nesta quarta-feira.
O estudo organizou uma lista de classificação de 169 países de acordo com o nível comercial de cada um deles com a zona do euro, que enfrenta uma crise de dívida, assim como a resistência interna para uma desaceleração.
"Os impactos para essas economias incluem redução na produção industrial, perda de competitividade e dívidas soberanas que poderiam provocar níveis insustentáveis devido ao aumento dos rendimentos", apontou a Maplecroft.
A Grã-Bretanha faz parte da União Europeia, mas não da zona do euro. Problemas fiscais britânicos combinados com fortes relações comerciais com a zona do euro tornam sua capacidade de reação a uma piora na crise econômica no bloco "severamente limitada", segundo o estudo.
Um colapso de grandes economias da zona do euro poderia reduzir o comércio britânico em 7 por cento e provocar perdas equivalentes a 7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) aos bancos britânicos devido à exposição deles a bancos da zona do euro e a títulos soberanos, acrescentou.
Países na Europa central e na Escandinávia, assim como nações exportadoras de commodities da África, como Costa do Marfim e Moçambique, também estão entre as 17 economias classificadas como em estado de "risco extremo".
Os Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China, também estão altamente expostos, mostrou o estudo.
Polônia, Hungria e República Tcheca, membros da União Europeia, estão em segundo, terceiro e quarto lugares em termos de risco, enquanto Suécia e Dinamarca aparecem em oitavo e nono lugares.
Muitos países africanos, fortemente dependentes do comércio com a zona do euro, estão no topo da lista, com Mauritânia, Moçambique, Marrocos e Costa do Marfim compondo parte do grupo de 17 países com exposição "extrema" à crise europeia.
Tunísia, Egito e Líbia, países que foram palco das revoltas da Primavera Árabe, estão atrás, enquanto Rússia, Brasil e Índia também foram classificados como nações em alta exposição à crise na zona do euro.
Do grupo dos Brics, formado pelas principais economias emergentes, apenas a China foi apontada com não mais do que uma exposição média.
"Essas economias (dos Brics) não estão totalmente isoladas da desaceleração devido às relações comerciais e de investimentos com a Europa, e uma escalada na crise da zona do euro poderia agravar ainda mais a desaceleração doméstica nas previsões de crescimento entre os Brics", disse o estudo.

sábado, 21 de julho de 2012

Ibovespa recua com temor sobre crise na Espanha


Índice da bolsa brasileira tem queda de 1,66%, aos 54.425 pontos

Danielle Assalve - REUTERS                  
São Paulo - O principal índice acionário da Bovespa recuava nesta sexta-feira, após três altas seguidas, com temores de que a Espanha seja o próximo país europeu a buscar resgate internacional.
Às 13h25, o Ibovespa tinha queda de 1,66 por cento, a 54.425 pontos, acompanhando o movimento das bolsas externas. O giro financeiro do pregão era de 2,8 bilhões de reais.
"A queda das commodities, junto com uma fuga para ativos de menor risco, estão pressionando as cotações", afirmou o gestor Marc Sauerman, da JMalucelli Investimentos, em Curitiba. "A Espanha é o maior fator de preocupação." A notícia de que a região espanhola de Valência buscará ajuda financeira de Madri assustou os mercados e complicou os esforços do governo central para evitar um pacote mais amplo de socorro financeiro ao país.
O temor de que a Espanha seja a próxima a se unir ao grupo de países que buscaram ajuda internacional --incluindo Irlanda, Portugal, Grécia e Chipre--, ofuscou o aval para um empréstimo de até 100 bilhões de euros a bancos do país.
Tais preocupações pressionaram os custos de empréstimo da Espanha, cujos yields dos títulos de 10 anos eram negociados acima de 7 por cento, nível considerado insustentável.
A Grécia também pesava, após o Banco Central Europeu (BCE) anunciou que não vai mais aceitar títulos soberanos gregos como garantia de empréstimo a partir de 25 de julho.
Com isso, o principal índice das ações europeias fechou em queda de 1,46 por cento. Em Wall Street, o índice Dow Jones operava em baixa de 0,84 por cento.
A queda das commodities pesava na bolsa paulista e abria espaço para um movimento de realização de lucros, após as altas recentes, afirmaram operadores.
A ação preferencial da Vale caía 1,84 por cento, a 37,86 reais, e a da Petrobras recuava 1,78 por cento, a19,27 reais. OGX cedia 3,2 por cento, a 3,52 reais.
Cia Hering estava entre as principais quedas do Ibovespa, com baixa de 3,95 por cento, a 36,50 reais, após a varejista têxtil ter informado na véspera resultado trimestral considerado decepcionante por analistas.
Em sentido oposto, América Latina Logística figurava entre as maiores altas do índice, seguindo a divulgação da prévia de resultados do segundo trimestre. Seu papel subia 2,37 por cento, cotado a 9,07 reais.
Para a próxima semana, a expectativa é de que o Ibovespa continue oscilando no intervalo entre 53 mil e 58 mil pontos, segundo Sauerman. "A bolsa vai continuar de lado, enquanto não vier um pacote de ajuda mais séria na Europa ou Estados Unidos.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Petrobras e Vale somam-se a Bernanke e Bovespa sobe


O Ibovespa encerrou com valorização de 1,25%, aos 54.583,13 pontos

 
São Paulo - A Bovespa acompanhou o bom humor externo e conseguiu engatar a segunda alta seguida e voltar para os 54 mil pontos nesta quarta-feira. Mais uma vez foi o presidente do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA), Ben Bernanke, que trouxe o alento para os negócios, ao reiterar que, se necessário, irá adotar novos estímulos econômicos para o país. Perto do fechamento, a melhora das ações da Petrobras e da Vale, que operaram em queda durante quase todo o pregão, ajudou a Bolsa a ampliar os ganhos. Já o Livro Bege, divulgado no início da tarde, ratificou o que já vinha sendo dito, que a economia norte-americana se expandiu a um ritmo moderado em junho e no começo de julho, mas o mercado de mão de obra mostrou um crescimento apenas "morno" nos EUA.
Com isso, o Ibovespa encerrou com valorização de 1,25%, aos 54.583,13 pontos. Na mínima, o índice atingiu 53.551 pontos (-0,66%) e, na máxima, 54.588 pontos ( 1,26). No mês, a Bolsa conseguiu voltar para o campo positivo ( 0,42%), mas, no ano, ainda tem queda de 3,83%. O giro financeiro limitou-se a R$ 4,883 bilhões.
O operador de uma corretora paulista observou que o chairman do Fed não disse nada de diferente, mas ponderou que nesta quarta-feira o mercado está num dia "bom". "Ele (Bernanke) não falou nada de diferente. O mercado tem um dia bom e um mau, hoje ele estava num dia bom", brincou, ressaltando ainda que em algum momento deve haver uma "enxurrada de dinheiro" para a Bolsa. "O nosso charme era o juro, agora o juro está baixo e o investidor vai buscar algo mais rentável", disse o profissional.
Por aqui, as ações da Petrobras conseguiram virar no final. O papel ON subiu 0,05% e o PN ganhou 0,42%. Na Nymex, o contrato de petróleo com vencimento em agosto encerrou com valorização de 0,73%, a US$ 89,87 por barril, com os investidores ignorando os dados de estoques comerciais da commodity nos EUA e dando atenção a questões sazonais e fatores geopolíticos.
Vale fechou sem direção única. A ação ON subiu 0,13% e a PNA perdeu 0,36%. Os papéis refletiram a aprovação, na terça-feira, da Medida Provisória (MP) que altera a forma de cálculo da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), conhecida como os royalties da mineração. Na prática, o artigo aprovado na Câmara representa um aumento do imposto cobrado das mineradoras. Por outro lado, a expectativa para o relatório de produção da mineradora no segundo trimestre, que será divulgado logo após o fechamento do pregão, é positiva, já que deve apontar crescimento no período.
O destaque de queda do índice foi a Oi PN (-4,48%), seguida de TIM ON (-2,77%), Trasmissão Paulista PN (-2,29%) e Oi ON (-2,24%). As ações das empresas de telefonia refletiram a notícia de que a Anatel tomará nesta quarta-feira medidas duras que incluem suspensão de vendas de linhas da TIM, Oi e Claro. Já o lado positivo foi liderado por Banco do Brasil ( 6,98%).
Em Nova York, o índice Dow Jones fechou com ganho de 0,81%, o S&P 500 subiu 0,67% e o Nasdaq, 1,12%.

quinta-feira, 12 de julho de 2012


6 dicas para perder o medo de investir na bolsa

 
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12 de julho de 2012 • 09h20Por: Diego Lazzaris Borges
SÃO PAULO – Investir em ações requer o mínimo de sangue frio, já que sempre vai existir o risco de perda neste tipo de aplicação. E muitas pessoas não conseguem se sentir à vontade neste mercado, seja pelo receio de perder dinheiro, seja pelo desconhecimento do seu funcionamento. Para quem ainda tem medo de começar, mas tem interesse em conhecer um pouco mais o mercado acionário, listamos algumas dicas a seguir.
1 - Fazer cursos
De acordo com o sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, fazer cursos e aprender mais sobre o mercado acionário é o primeiro passo para perder o medo de investir em renda variável.
Ele lembra que, nos cursos de análise fundamentalista (que se preocupa em analisar os números da empresa e seu potencial crescimento), o investidor aprende a avaliar os indicadores financeiros, levando em consideração os dados da empresa e o setor em que ela atua.
Já com cursos de análise técnica (que analisa apenas os gráficos do desempenho da ação), se aprende a avaliar os movimentos dos preços e as tendências com que são projetados a partir de dados de mercado. “A princípio estas duas linhas de estudo são diferentes, porém, os conceitos são complementares e que o conhecimento adquirido em será fundamental para o entendimento do mercado financeiro”, diz Zeno.
2 - Estudar e acompanhar o noticiário econômico, para entender o está se passando
Acompanhar o noticiário econômico, ler notícias e se informar sobre o que está acontecendo no mercado de ações também pode ajudar o investidor a perder um pouco o medo e entender os motivos da oscilação das suas ações. “O noticiário econômico pode subsidiar e muitas vezes minimizar o risco do investimento”, afirma Zeno.
3 - Utilizar simuladores
Antes de partir para os investimentos reais, via home broker, uma alternativa interessante é utilizar um simulador de investimento, que possui as cotações dos ativos em tempo real. “Simuladores facilitam o processo de aprendizagem teórica. São indicados como parte de assimilação dos conceitos”, ressalta o diretor da AZ.
4 - Começar investindo pouco dinheiro
Investir uma quantia pequena também pode fazer com que você se sinta mais seguro para começar. Se, logo de cara, você comprar uma enorme quantidade de ações, por valor altíssimo, com certeza vai ficar mais apreensivo com possíveis prejuízos.
Zeno lembra que também é importante avaliar o grau de risco que você pode suportar, ou seja, o quanto pretende arriscar para ter um rendimento maior. “Determine sempre seu perfil de risco”, aconselha.
5 -Não colocar todas as suas economias na bolsa
Outro ponto importante para que você não fique “traumatizado” com a bolsa de valores é sempre diversificar as suas aplicações. Se o seu perfil for conservador, os investimentos devem ficar concentradas em renda fixa. Mas se quiser começar a apimentar um pouco os rendimentos, pode assumir um pouco de risco, colocando uma pequena parte em ações.
“Diversifique sempre, você pode equilibrar o rendimento menor de um investimento, com o bom desempenho do outro”, lembra o executivo.
6 - Não acompanhar todos os dias a cotação do papel, a não ser que pretenda ser um trader
Quem compra uma ação pensando no longo prazo (o que é mais recomendado pelos especialistas), não deve se preocupar tanto com as oscilações de curtíssimo prazo da ação. Isso porque, uma ação pode cair muito hoje, mas os fundamentos da empresa indicam que, no longo prazo (que é o seu objetivo) ela deve se recuperar e ainda proporcionar uma valorização interessante.
“Você é um investidor ou um especulador?”, questiona Zeno. A resposta a esta pergunta vai definir a necessidade ou não de acompanhar mais de perto todas as oscilações do mercado acionário.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O QUE VOCÊ FARIA COM R$ 635 MIL REAIS?

Olá, tudo bem?
 
Você deve ter acompanhado a história de vinte funcionários de um tradicional restaurante do Rio de Janeiro que ganharam, cada um, R$ 635 mil na Quina de São João. Teve ainda um colega de trabalho que não entrou no bolão - algo que sempre fazia - e simplesmente ficou de fora da "festa".
 
Pois bem, dos 20 empregados, 15 deles acertaram mais uma semana de trabalho e depois largaram o emprego para viver "uma nova vida". Nas palavras do dono, "deu tudo certo, pois aqueles que saíram porque ficaram ricos já indicaram parentes ou amigos para vir trabalhar". Ainda bem que a história acabou bem, não é? Ou será que cabe uma discussão sobre o futuro dessa turma?
 
Quero abordar duas questões relacionadas à notícia, mas sem que façamos julgamentos de valor ou do tipo "certo e errado". A ideia é pura e simplesmente permitir que você reflita sobre você e como você lida com o seu dinheiro:
 
1) Os inesperados R$ 635 mil resolveriam sua vida?
Não tentarei, de forma alguma, adivinhar o que se passou na cabeça daqueles que preferiram largar o trabalho, mas a questão me parece pertinente porque tudo à nossa volta passou a custar mais, o que eleva nossos gastos com padrão de vida e sonhos de consumo.
 
Quanto de patrimônio é possível adquirir com essa quantia? Um apartamento de 3 quartos em São Paulo custa praticamente isso. No Rio de Janeiro, terra dos sortudos, também. Carro por aqui é caro, como sabemos. E depois de comprar, temos que ter grana para manter tudo isso (IPTU, IPVA e por ai vai) – é onde o “calo aperta”.
 
Deixar o dinheiro aplicado em uma alternativa conservadora permitiria uma renda aproximada de R$ 2.500,00 mensais, mas isso implicaria manter o dinheiro investido e talvez manter um padrão de vida pouco diferente do já existente antes da sorte os encontrar. Isso sem contar os muitos "amigos" e parentes que, sabendo do novo rico, tentarão "tirar uma casquinha". Não é isso que acontece?
 
2) O que será dos cinco que decidiram continuar no emprego?
Impossível dizer, mas quero crer que estes pensaram melhor em relação entre custo de vida, trabalho e sonhos de consumo - e provavelmente chegaram à conclusão de que o dinheiro será muito bem-vindo para permitir-lhes alcançar objetivos mais rapidamente, mas sem deslumbramento.
 
Fico aqui torcendo para que a educação financeira, aqui representada por essa oportunidade que criamos de debater assuntos tão importantes, faça parte da vida destes personagens. Porque, do contrário, poderemos estar diante de mais um filme com final repetido: a riqueza acaba logo e as famílias, relutando em reavaliar seu padrão de vida, afundam-se em mais dívidas e acabam piores que antes do chamado da sorte.
 
Uma notícia aparentemente banal, corriqueira, mas que reforça o quanto a educação financeira é relevante e pode fazer diferença. Ainda bem que nós valorizamos esse assunto e dele aprendemos, ensinamos e compartilhamos experiências. Não é?

Mais uma vez, obrigado! Grande abraço.

sexta-feira, 6 de julho de 2012


Eike Batista responde ao mercado financeiro

Eike Batista, o homem de negócios mais admirado por executivos brasileiros, fala sobre suas empresas e o tombo recente que elas levaram na bolsa

Entrevista da EXAME.COM
Rio de Janeiro - O empresário Eike Batista, de 55 anos, levou um dos maiores tombos da história da bolsa no fim de junho. Uma informação sobre sua petroleira, a OGX, foi mal recebida pelo mercado, que derrubou os papéis de todas as companhias abertas do grupo EBX.
Juntas, as empresas perderam mais de 8 bilhões de reais de valor em um único pregão. Dias antes, Eike havia sido eleito o homem de negócios mais admirado numa pesquisa feita por EXAME com dirigentes das maiores empresas do país. O mineiro, de Governador Valadares, ficou à frente do empresário Jorge Gerdau e do mito Steve Jobs.
Eike se tornou celebridade depois de entrar na lista dos homens mais ricos do mundo (com fortuna avaliada em 30 bilhões de dólares em 2011, é o sétimo no ranking da revista Forbes). Outra parte da fama deve-se à quantidade de empresas que iniciou nos últimos anos - fora da mineração, área em que atua há 30 anos, Eike criou ou se associou a mais de uma dezena de negócios, que vão de portos ao campeonato de artes marciais UFC.
E o mercado acompanha cada passo de seu grupo. Nas entrevistas que concedeu a EXAME - em seu escritório, no centro do Rio de Janeiro, e por telefone, durante o abalo das ações ?, Eike falou sobre as dúvidas que pairam sobre suas empresas e sobre os negócios que fez no passado.
"Todas as minhas companhias estão financiadas. Durante a minha carreira, assumi muitos riscos na hora de desenvolver projetos. O único que nunca assumi foi o risco financeiro de não poder executá-los."
EXAME - Como o senhor avalia a queda brutal das ações de suas empresas na última semana de junho?
Eike Batista - Acho que houve uma desconexão entre o fato em si e a percepção do mercado. Nós anunciamos que, após os testes de longa duração, a vazão de cada um dos dois primeiros poços de petróleo da OGX será de 5?000 barris ao dia.
Esse, aliás, é um valor muito bom. Coloca esses poços entre os 100 melhores do Brasil. Acontece que o mercado esperava mais. É natural que nos penalizem quando um número vem menor. Só acho que exageraram na dose.
EXAME - Mas o mercado esperava mais porque a própria OGX estimou  e anunciou uma produção maior anteriormente, certo?
Eike Batista - Nós informamos apenas dados técnicos, conforme os testes eram realizados. Talvez tenha sido um erro estratégico dar informações nesse estágio. Poderíamos esperar para falar, por exemplo, quando estivéssemos em alta produção. Mas acho que o mercado não entendeu que esses dois primeiros poços não mudam em nada o planejamento da OGX.
As plataformas e os sistemas auxiliares de produção que estão chegando permitirão um número de conexões de poços que nos levarão a produzir 250?000 barris ao dia em 2014. Isso não muda nada.
EXAME - Um analista chegou a perguntar sobre o que aconteceria com os blocos de concessão da OGX num caso de falência. O que o senhor achou disso?
Eike Batista - Olha, é difícil um grupo com 9 bilhões de dólares em caixa, como temos, ir à falência. Não posso falar sobre o que vai na cabeça de outra pessoa, mas posso dizer que todas as minhas companhias estão financiadas. Falar em falência não tem cabimento.
O que acontece é que não existem empresas tão acompanhadas como as nossas, porque a maioria delas está começando a operar. E aqui é tudo transparente. Quando eu tiver 30 poços produzindo, ninguém vai se importar se um vaza 3?500 ou 5?000 barris. 
EXAME - As ações de suas empresas já estavam há bastante tempo abaixo do valor na abertura de capital. Por que isso acontece?
Eike Batista - Estamos em um mundo sem pa­ciência para projetos que precisam de tempo. O mercado está dando o triplo de desconto aos projetos em andamento. A aversão ao risco é tanta, os preços estão tão baixos, que uma das coisas que penso é recomprar parte das ações de minhas empresas. Se o mercado não me quer, eu me quero.
EXAME - Esse episódio derrubou as ações de todas as empresas do grupo e levantou o temor de que todas possam ter projeções superestimadas. O que o senhor acha disso?
Eike Batista - Veja bem, nós temos sócios que só decidiram entrar nas nossas empresas depois de avaliar nossos ativos e a capacidade de nosso corpo técnico. Por que a multinacional americana GE colocou 300 milhões de dólares para ficar com 0,8% da minha holding? Por que o Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, colocou 2 bilhões de dólares na holding depois de ficar dez meses aqui dentro auditando tudo?
O que as pessoas não entendem é que as bacias de petróleo que  vamos explorar têm 8 trilhões de dólares em óleo e gás. Não entendem que temos 2 trilhões de dólares de minério de ferro em Minas Gerais. São esses ativos que me permitem pagar as contas. O meu porto, o Açu, está sendo pago pela mineradora. O que temos aqui são ativos reais. Costumo dizer que são negócios à prova de idiotas.
EXAME - O que é um negócio à prova de idiotas?
Eike Batista - É um negócio que aguenta muito desaforo. É como a mina de ouro colombiana que comprei em 2011. Ela tem um tamanho e um teor de ouro que a tornam especial. Vou gastar 1,5 bilhão de dólares para colocá-la em produção, mas ela vai gerar 1,2 bilhão de caixa por ano.
Ou seja, ela se paga em 14 meses. Isso é um projeto à prova de idiotas. Mas veja bem, eu enxerguei que esse negócio era muito maior do que achava quem me vendeu. Na época da compra, a mina tinha 3 milhões de onças de ouro. Hoje, tem 11 milhões. E isso não é sorte. Fui lá, pesquisei, furei, furei e achei. Tenho 17 sondas furando essa mina.
EXAME - O que o senhor diria para quem o enxerga como um vendedor de projetos e diz que suas empresas não entregarão o que prometem?
Eike Batista - Quem diz isso é quem não conhece as companhias de perto. As pessoas pensam que sou um vendedor de ideias, mas não sabem que sou um engenheiro de mão cheia. (Eike estudou dois anos e meio engenharia metalúrgica na Alemanha e abandonou o curso.)
Esse é um grupo de 1?000 engenheiros. E não tem engenheiro que me engane. Coloquei cinco minas de ouro em produção no Brasil, uma no Chile, duas no Canadá e uma nos Estados Unidos. Depois, quantifiquei os recursos de duas minas de ferro, mais tarde compradas pela mineradora Anglo American.
EXAME - E essas duas últimas permitiram uma capitalização muito maior que as anteriores. 
Eike Batista - A EBX de antigamente criou as nove minas que eu vendi por 1 bilhão de dólares no ano 2000. De 2000 a 2007, vendi duas minas para a Anglo American por 7 bilhões. O que as pessoas não sabem é que as nove minas de ouro valiam 20 bilhões de dólares. Mas, naquela época, era dificílimo levantar dinheiro.
Quando eu fazia uma abertura de capital, ficava com um pedaço pequeno, mesmo tendo descoberto tudo. Eu era um caçador de trufas. Mas era como o cachorro que encontra a trufa e recebe um toucinho de recompensa. Nesse novo ciclo, eu aprendi a não deixar mais os bancos me arbitrarem. Agora, fico com a maior parte do valor para mim.
EXAME - Qual foi o pior negócio que o senhor fez até agora?  
Eike Batista - Minha fábrica de jipe não deu certo. Cometi o erro estratégico de escolher a motorização errada e também não tive uma rede de distribuição adequada. E fui teimoso! Fiquei dez anos insistindo nisso. Foram erros importantes. Tive prejuízo de mais de 100 milhões de dólares.
Também fiz um negócio de cosméticos, ao qual não tinha tempo para me dedicar. Quis agradar a Luma (de Oliveira), minha ex-mulher, e não funcionou. Na empresa de correios que criei no passado, esbarrei na informalidade do setor e nos Correios, que não pagam imposto de renda, uma barreira intransponível. E só constatei os problemas depois de me queimar. Mas tudo isso me trouxe aprendizado.
EXAME - E por que os projetos atuais não teriam erros?
Eike Batista - Eu errei porque me meti em setores em que não sou especialista. Meu sucesso na área mineral é, literalmente, 100%. Hoje, tudo o que faço está ligado a recursos naturais e àquilo que está em volta, como logística e infraestrutura. Para colocar uma mina em funcionamento no meio do mato, tenho de gerar minha pró­pria energia.
Eu faço o que está em volta da minha constelação de negócios e aproveito essas sinergias ao máximo. Para extrair ouro de uma mina no deserto do Atacama, a 4?000 metros de altura, eu tinha de buscar energia a 200 quilômetros e água a 150 quilômetros.  
EXAME - Mas o senhor também investiu em construção naval, em catering, no setor imobiliário...
Eike Batista - Não entro em setor que não conheço sem me associar ao melhor know-how do mundo. Veja minha lista de sócios. No estaleiro, a corea­na Hyundai é sócia com 10%. E ainda pagamos 250 milhões de dólares para que os coreanos nos mostrem como se constroem navios em série, com processos automatizados.
Hotelaria e catering servirão para as plataformas e para as empresas que vão se instalar no porto do Açu. A siderúrgica Ternium já está construindo lá. A empresa francesa Technip fechou contrato para fazer uma fábrica de equipamentos submarinos para o setor de óleo e gás, que vai custar ­600 mi­lhões de reais.
No porto do Açu, já recebemos 100 milhões de reais de aluguel de empresas que estão se instalando lá. E muita gente quer se associar a mim, como a Newrest, a segunda maior empresa de catering da França. No setor imobiliário, sempre comprei terrenos baratos, que valorizaram. 
EXAME - A queda das ações tira parte de seu patrimônio e adia a meta de ser o mais rico do mundo?
Eike Batista - Eu não perdi nada. Não vendi minhas ações. Agora é esperar subir. A essência dessa história de ser o mais rico é mais uma brincadeira. Dinheiro, depois de certo nível, é bobagem. Mas acho que cada um de nós tem de se colocar metas.
Sou competitivo, gosto de correr de lancha. Vou competir com quem? Deixa eu competir com o Carlos Slim (empresário mexicano considerado o homem mais rico do mundo).
EXAME - O senhor foi eleito o mais admi­rado do mundo dos negócios. E quem o senhor admira?
Eike Batista - Admiro muito o grupo Gerdau. A turma da Ambev, com o Jorge Paulo Lemann, o Beto Sicupira, o Marcel Telles e o Alexandre Behring, tem uma capacidade de gestão exemplar. Gosto muito também do Josué Gomes da Silva, da Coteminas. De fora, acho a garotada do Google incrível. Tiro o chapéu para a moçada que desenha coisas para o mundo ficar melhor.
EXAME - O Bradesco, o maior grupo deste ano em MELHORES E MAIORES, teve 100 bilhões de reais de receita em 2011. O EBX, que faturou 1,3 bilhão, pode chegar lá? 
Eike Batista - Isso não é meta. Mas, em termos de geração de lucro, com os ativos que temos hoje, acabaremos sendo o maior grupo do país. Para mim, o que importa é a geração de caixa e o lucro, não o faturamento. Sempre digo que o elefante é grande, mas não é dono do circo.
Hoje, nosso Ebitda (lucro antes de impostos, depreciação e amortização) gira em torno de 70%. No caso de um grande varejista, o Ebitda varia de 3% a 5% do faturamento. Só as indústrias de soft­wa­re e recursos naturais têm margens desse tipo.

quinta-feira, 5 de julho de 2012


BCE reduz taxa básica de juros a 0,75%, menor nível histórico

Com a redução, a entidade pretende abrir a torneira do crédito para reativar a economia da Eurozona

  
Frankfurt - O Banco Central Europeu (BCE) reduziu a taxa básica de juros a 0,75%, uma decisão muito aguardada e que representa o menor nível da história.
A taxa básica havia sido reduzida em dezembro de 2011 a 1%, que já representava o menor nível na história da instituição.
Ao reduzir a taxa, o BCE pretende abrir a torneira do crédito e, assim, reativar a economia da Eurozona, afetada pela crise da dívida e a recessão em vários países membros.
Vários membros da diretoria da instituição haviam antecipado indiretamente uma decisão deste tipo nas últimas semanas.
A redução das pressões inflacionárias na zona do euro nos últimos meses possibilitou a redução das taxas, já que o BCE não teme um aumento dos preços ao suavizar as condições de crédito.
O BCE também reduziu em 0,25% outras duas taxas, a de depósito a um dia, que agora está em 0%, contra 0,25%, e a de empréstimo marginal, que passou de 1,75% para 1,50%.