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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Estados salvam o que podem do banco Dexia

Bélgica, França e Luxemburgo saíram nesta segunda-feira em socorro do Dexia, o primeiro banco vítima da crise da dívida na Europa

O presidente do conselho, Jean-Luc Dehaene
O presidente do conselho de administração do banco, Jean-Luc Dehaene, apresentou nesta segunda-feira sua demissão com efeito imediato
Bruxelas - Bélgica, França e Luxemburgo saíram nesta segunda-feira em socorro do Dexia, o primeiro banco vítima da crise da dívida na Europa e que vai ser desmembrado para poder subsistir à espera de um plano de recapitalização do conjunto do setor, prometido por Berlim e Paris.
Ao final do maratônico conselho de administração na sede do Dexia, em Bruxelas, foi assinada na noite de domingo a ata de óbito do grupo franco-belga, pelo menos em sua forma atual.
O grupo não sobreviveu à crise da dívida soberana, que secou o fluxo de liquidez necessária para prosseguir com suas atividades.
O presidente do conselho, Jean-Luc Dehaene, apresentou nesta segunda-feira sua demissão com efeito imediato.
O conselho de administração aceitou uma oferta do Estado belga de assumir o controle de 100% do Dexia Banque Belgique, a filial belga do grupo, no valor de 4 bilhões de euros.
O ministro belga das Finanças, Didier Reynders, classificou o preço oferecido de "razoável" e indicou que a Bélgica espera continuar sendo durante vários anos proprietária deste banco de clientes, para "garantir sua continuidade".
"Os lares belgas podem ficar certos de que seu dinheiro está em segurança em suas contas correntes", assegurou, por sua vez, o primeiro-ministro belga Yves Leterme.
O banco registrou nos últimos dias a importantes retiradas de fundos por seus clientes, reconheceu nesta segunda-feira o administrador delegado Pierre Mariani, apesar de não poder comparar estas retiradas com o que aconteceu em 2008, quando o banco quase faliu, assegurou.
Do lado francês, Mariani recebeu um mandato do conselho para entrar nas negociações exclusivas com a Caisse des Dépôts (CDC) e o Banco Postal visando a retomar suas atividades de financiamento das instituições locais.
Segundo o ministro Frieden, um grupo de investidores vinculado à família real do Qatar comprará a filial de Luxemburgo do Dexia, o Dexia BIL, dedicada às atividades bancárias varejistas e gestão de ativos, anunciou
"Uma família vinculada a um grupo financeiro do Qatar está disposta a comprar o banco", declarou Frieden à imprensa.
Frieden também anunciou a compra do banco privado KBL, filial do grupo belga KBC, por um valor global 1,05 bilhão de euros.
"É positivo para a praça financeira, pois os dois bancos são complementares", comentou o ministro.
Frieden não revelou o valor da compra do Dexia BIL, mas explicou que o Estado de Luxemburgo terá uma participação minoritária de 150 milhões de euros.
Os Estados também chegaram a um acordo na divisão dos cerca de 90 bilhões de euros de garantias que proporcionarão para a futura estrutura que subsistirá ao término do desmantelamento: Bélgica dará 60,5%, França 36,5% e Luxemburgo 3%

domingo, 9 de outubro de 2011

Entenda como funciona o mercado de opções de ações na Bovespa

Contratos servem para fazer apostas sobre preços de ações.
Opções movimentaram mais de R$ 40 bilhões no ano passado.
Paula Leite Do G1, em São Paulo

Foto: Evelson de Freitas/Agência Estado
As opções de compra e venda de ações são instrumentos financeiros muito usados por investidores, e o vencimento delas costuma mexer com a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) devido ao grande volume de "apostas" feitas com esses contratos.

As opções de compra e venda movimentam grandes volumes na Bovespa. Em 2009, as opções de compra totalizaram negócios de R$ 57,7 bilhões, alta de 39% sobre 2008. Já as opções de venda tiveram R$ 2,6 bilhões em negócios no ano passado. O mercado de opções no Brasil é dominado por Petrobras e Vale, que representam quase 90% do volume deste tipo de contrato.

Na Bovespa, as opções de compra e venda dizem respeito somente a ações, mas na BM&F, há opções para produtos agropecuários, como milho e café, e produtos financeiros, como dólar. As opções agropecuárias são usadas muitas vezes para produtores ou exportadores para se proteger de variações de preço entre o plantio e a entrega do produto, por exemplo.

Compra e venda
Existem dois tipos de opções: de compra e de venda. Normalmente, a opção de compra é usada quando se espera que uma determinada ação vá subir. Já a opção de venda é usada para se proteger no sentido contrário, ou seja, quando é possível que a ação caia.

As opções, conforme diz o nome, dão ao comprador do contrato a opção de comprar ou vender uma determinada ação por um preço pré-estabelecido dentro de um prazo estipulado. Quando termina esse prazo, as opções vencem, e é nessas datas de vencimento, que o principal índice da Bovespa, o Ibovespa, pode sofrer influência devido ao grande número de ações que trocam de mãos.

Pessoas físicas
De acordo com Julio Carlos Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&FBovespa, no mercado de opções de ações as pessoas físicas são as maiores participantes. Os investidores usam as opções de duas formas, principalmente, diz ele: para se proteger ou para fazer apostas diretas.

No caso do uso das opções para proteção, um investidor que tem muitas ações de uma determinada empresa pode comprar opções que permitam que ele venda a ação por um determinado preço. Assim, ele está protegido de perdas maiores se a ação cair abaixo desse preço.

Já as apostas diretas são um pouco mais complicadas: vamos supor que uma ação hoje custa R$ 12 e o investidor compra uma opção de comprá-las a R$ 14, pagando R$ 1 pela opção. Se a ação subir para R$ 16, por exemplo, o preço da opção também subirá. O investidor pode então vender a opção e lucrar.

"A pessoa física que investe em opções conhece bem o mercado. Geralmente, as corretoras avaliam o conhecimento do cliente ou oferecem treinamentos antes de habilitá-lo a operar com opções", diz Ziegelmann.

Ele explica que, no vencimento de uma opção, se ela puder ser exercida (se valer a pena usá-la), o volume financeiro da Bovespa pode subir bastante no dia. Além disso, com muitas pessoas comprando ou vendendo uma determinada ação, por conta das opções, isso pode influir no preço da ação propriamente dita.

Exemplos
Veja abaixo exemplos de negócios com opções de compra:

A ação da empresa fictícia XYZ fechou cotada a R$ 50 nesta sexta (22).

Vamos supor que o investidor Fulano compre de Sicrano uma opção que dá o direito a ele de comprar a ação por R$ 52 em 22/02, e paga R$ 4 por esse contrato.

No primeiro cenário, em 22/02 a ação da XYZ vale R$ 60. O investidor Fulano exerce sua opção, compra de Sicrano a ação da XYZ por R$ 52 e vende a um terceiro investidor por R$ 60.

Como ele gastou um total de R$ 56 (R$ 4 da opção em si e R$ 52 para comprar a ação), ele embolsa um lucro de R$ 4. Sicrano tem um prejuízo de R$ 4, pois vendeu por R$ 52 uma ação que agora vale R$ 60 (prejuízo de R$ 8), mas havia recebido R$ 4 pela opção.

Em outro cenário, o dia 22/02 chega e a ação da companhia XYZ cai e vale só R$ 48. Fulano então simplesmente não exerce sua opção, pela qual já pagou R$ 4; Sicrano tem um lucro de R$ 4.

Um raciocínio similar vale para a opção de venda. Veja os exemplos abaixo:

A ação da empresa fictícia XYZ fechou cotada a R$ 50 nesta sexta (22).

O investidor Fulano tem ações da XYZ e compra de Sicrano uma opção que dá o direito a ele de vender a ação por R$ 50 em 22/02, pagando R$ 4 por esse contrato.

No primeiro cenário, em 22/02 a ação da XYZ vale R$ 42. Fulano exerce sua opção, vende sua ação por R$ 50 a Sicrano, embolsando R$ 4 de lucro (uma vez que pagou R$ 4 pelo direito de venda). Sicrano tem prejuízo de R$ 4.

Em outro cenário, porém, a ação da XYZ vale R$ 52 em 22/02. Fulano simplesmente não exerce sua opção, tendo prejuízo de R$ 4 (valor que pagou pela opção); esses R$ 4 vão para a mão de Sicrano.




sábado, 8 de outubro de 2011

MERCADOS FUTUROS


Você já ouviu falar em “mercados futuros”? Tem alguma idéia do que seja? Vamos começar com uma breve e superficial explicação: Um “contrato futuro” (é assim que se refere a um derivativo negociado nos “mercados futuros”) é um acordo entre um comprador e um vendedor, no qual o vendedor se compromete a comprar determinado item (geralmente uma commodity  ou um ativo financeiro) por um preço pré-estabelecido, em uma data definida no futuro (daí o nome).
Teoricamente, qualquer um pode fazer uma compra ou venda “futura”. Eu poderia lhe vender hoje o meu carro, por um preço definido entre nós, para entrega daqui a um mês. Em 30 dias lhe entregarei o carro e você me dará a quantia que combinamos. Seria um contrato futuro, tecnicamente falando.
Mas quando se fala em “contratos futuros” em um contexto de mercado financeiro, estamos falando de instrumentos que são, necessariamente, negociados em bolsas de valores de forma padronizada. Ou seja, existem alguns tipos de contratos futuros que variam conforme o valor, o vencimento e o tipo de mercadoria (ou ativo financeiro) a que ele se refere, ma não há qualquer variação entre esses contratos pré-determinados.

Principal objetivo: proteção (hedge)

Contratos futuros são usados principalmente para proteção (ou hedge, no jargão do mercado), mas é provavelmente uma das melhores ferramentas para se especular. Alguns dos mais famosos traders do mercado financeiro trabalham quase que exclusivamente com contratos futuros e Chicago, nos Estados Unidos, é a “Meca” dos mercados futuros.

Como são negociados no Brasil

No Brasil, contratos futuros são negociados na BM&FBovespa. No segmento BM&F, negocia-se futuros de mercadorias (commodities agrícolas e minerais), moedas e índices de bolsa de valores. No segmento Bovespa se negocia contratos futuros sobre ações individuais e contratos de opção sobre contratos futuros (aqui a coisa começa a ficar um pouco mais complicada…), mas esses instrumentos ainda são pouco desenvolvidos no Brasil. Aliás, contratos futuros de uma única ação (ao invés de ser sobre um índice) é algo que ainda não “pegou” nem nos Estados Unidos. O volume de futuros de ações individuais ainda é bem pequeno perto dos demais contratos.

Contratos futuros são acessíveis aos pequenos investidores

Os mercados futuros são, historicamente, um terreno de investidores profissionais, mas começaram a se tornar acessíveis (mundialmente falando) aos pequenos investidores e traders a partir dos anos noventa do Século passado, com a introdução dos “e-minis” na CME (Chicago Mercantile Exchange), a maior bolsa de mercadorias de Chicago, que desenvolveu inclusive uma plataforma de negociação própria, 100% eletrônica, chamada “Globex”, que permitia às pessoas negociar contratos pela internet, como um homebroker convencional. Os e-minis representam uma fração dos contratos originais (em termos de valor), e são acessíveis a pessoas que dispõem de poucos recursos para participar do mercado.
A iniciativa da CME foi seguida por outras bolsas do mundo, inclusive a nossa BM&F, que criou o webtrading, plataforma eletrônica para negociação de mini-contratos futuros, a versão brasileira dos e-minis. Hoje existem mini-contratos futuros de boi gordo, café, dólar e índice Bovespa. Os dois últimos são, de longe, os mais ativos e mais populares.

Vantagens e desvantagens

Os contratos futuros são populares e “adorados” pelos traders mais agressivos por várias razões. Uma delas é o fato de que não é preciso dispor de todo valor financeiro do contrato, apenas uma “margem” de garantia (isso faz com que os contratos futuros sejam fortemente alavancados e, por isso mesmo, mais arriscados). Outra razão é o fato de os contratos futuros serem totalmente bidirecionais. Pode-se operar “vendido” ou “comprado” (ou seja, apostando na queda ou na subida do mercado) com a mesma facilidade.
Mini-contratos futuros são acessíveis – mais acessíveis que muitas ações, por conta da exigência de uma margem (e não o valor integral do contrato) para operá-lo. Mas apesar de serem tão acessíveis, eles não são recomendados para traders e investidores com pouca experiência e conhecimento, pois a alta alavancagem proporcionada pela margem é garantia de “fortes emoções” e, em alguns casos, de grandes prejuízos…

Conclusão

Antes de se aventurar nos mercados futuros, estude muito, desenvolva um método consistente e faça muitas simulações. Quando for começar “para valer”, comece devagar, até ficar seguro. E mais importante de tudo: saiba muito bem como funciona a margem, qual é o efeito da alavancagem e controle seu risco. Sabendo usar, a alavancagem será sua grande aliada!

4 sinais de que os investidores acham que a crise financeira irá se repetir

E se ela não vier se prepare para um grande reposicionamento dos mercados

Bolsa de Nova York (Wall Street)
O percentual de ações acima da média móvel de 200 dias está em 7%, o menor desde 03/2009
São Paulo – Um relatório do JPMorgam, citado pelo site Business Insider, mostra que muitos investidores já estão assumindo posições que mostram uma aversão ao risco tamanha que sugerem a expectativa pela repetição de uma crise financeira aos moldes da enfrentada em 2008 e 2009.

Veja a lista preparada por Thomas Lee, estrategista-chefe para ações nos Estados Unidos:
1 – As posições dos investidores, de acordo com dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), mostram uma aversão ao risco como a vista em março de 2009. As análises foram feitas por Nikolaos Pannigirtzoglou, da divisão de alocação de ativos do JPMorgan.

2 – O nível de operações vendidas em relação ao mercado chegou a 3%, o mais alto desde março de 2009

3 – Um indicador publicado pela Investors Intelligence mostra que os pessimistas (bears) são 45% do mercado, o maior nível desde março de 2009.

4 – O percentual de ações acima da média móvel de 200 dias está em 7%, o menor desde março de 2009.
“Esses são apenas 4 exemplos. Isso é corroborado pelas nossas conversas com os maiores hedge funds e por clientes long-only [apenas com posições compradas]”, explica Lee.
“Portanto, acreditamos que o mercado irá precisar se reposicionar caso não ocorra uma recessão ou uma crise como a de 2008-2009”, completa.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

BM&FBovespa terá novos horários de negociação em 17 de outubro

Mudanças estão sendo implementadas por conta do horário de verão no Brasil, previsto para começar no dia 16 deste mês

Pregão da Bovespa
São Paulo – A BM&FBovespa (BVMF3) anunciou que irá alterar, a partir do dia 17 de outubro, o horário de negociação para os segmentos Bovespa e BMF. As modificações incluem um atraso de uma hora e serão feitas em função do início do horário de verão no Brasil.
De acordo com a bolsa brasileira, o pregão regular começará com o leilão de pré-abertura das 10h45 às 11 horas. Em seguida, ocorrerá a sessão contínua de negociação sendo realizada entre 11 e 18 horas.
O call de fechamento irá ocorrer entre 17h55 às 18 horas, envolvendo os ativos negociados no mercado a vista que fazem parte da carteira de qualquer um dos índices da bolsa, além da série de opções de ativos-objeto que fazem parte da carteira teórica do IBrX-100 e ETFs.
A fase de pré-abertura do after market está programada para ocorrer entre 18h30 e 18h45. Já a fase de negociação pós-mercado será feita entre 18h45 e 19h30.
A BM&FBovespa informa ainda que o bloqueio ou exercício no mercado de opções sobre ações será realizado das 11 horas às 17 horas nos dias anteriores ao vencimento, das 11 horas às 12h30 na data de vencimento (venda para titular e compra para bloqueio para posição lançadora) e das 12h30 às 14 horas (somente o exercício de posições titulares das séries vincendas).
Os horários estimados para o mercado de balcão organizado e para o Bovespa Mais são os mesmos estipulados para o pregão regular da bolsa brasileira.
Vale destacar que, além do horário de verão brasileiro, a Bovespa também considera o horário de verão do mercado americano para alterar o período de negociação.
Confira abaixo o ofício emitido pela BM&FBovespa com todos os horários de negociação:

Quem já investe em títulos públicos, pensa em investir ou simplesmente teve a curiosidade de consultar a página de preços e taxas dos títulos disponíveis para compra, deve ter tomado um susto quando se deparou com os preços dos títulos.
Falo em susto porque aparentemente é complicado entender o preço dos títulos públicos. Por que uma NTN-B que vence em 2035 custa R$ 2.215,92 e uma NTN-B Principal, com vencimento no mesmo ano, custa apenas R$ 559,72? Ou por que a LTN fica mais barata à medida que a data de vencimento aumenta? Ou ainda por que a LFT tem o mesmo preço, independente do vencimento?
O propósito deste artigo é responder essas perguntas, explicando cada componente do preço dos títulos públicos e como o preço é formado.

Componentes do preço

Como já vimos em outros artigos, os títulos ofertados no Tesouro Direto tem diferentes características, podendo ser indexados a índices de preços, à Selic ou títulos prefixados. Além disto, podem fazem pagamentos (cupons) semestrais ou não.
Veja a seguir uma tabela-resumo com todas as características dos títulos:
Componentes dos preços dos títulos públicos
Vamos agora entender cada componente.

Tipos de títulos

Os títulos podem ser prefixados ou pós-fixados.
  • Prefixado: A taxa de rentabilidade é pré-determinada no momento da compra. Ela é dada pela diferença entre o preço de compra e pelo preço no momento do vencimento. O fluxo não é corrigido por nenhum indexador.
  • Pós-fixado: O valor do título é corrigido pelo seu indexador. Assim, a rentabilidade do título depende tanto do desempenho do seu indexador, quanto do deságio pago no momento da compra (taxa de juros real ou prêmio).

Taxas de juros

A taxa de juros indicada para os títulos pode ser nominal ou real.
  • Nominal: A taxa de juros informada para estes papéis não considera o efeito da inflação sobre o valor do título.
  • Real: A taxa informada reflete a rentabilidade acima da inflação ao qual o título será remunerado.

VNA (Valor Nominal Atualizado) e Data-base

Como alguns títulos são indexados, foram criados VNA (Valor Nominal Atualizado), calculado a partir de uma data-base.
  • VNA: O VNA facilita o acompanhamento da evolução dos indexadores. Nas suas datas-base os VNA tinham como valor R$1.000,00. Desde então, eles vêem sendo atualizados conforme a evolução dos seus indexadores. Assim, a variação dos VNA entre duas datas indica qual a variação do indexador ao qual ele se refere.
  • Data-base: Indica a data de início da atualização do VNA.

Cupom

Alguns títulos fazem pagamentos periódicos (cupons) ao longo da sua existência.
  • Cupom: São pagamentos feitos ao longo da existência dos títulos. Geralmente, são pagos semestralmente. O seu valor é calculado como sendo o percentual de cada título (ex: NTN-B tem 6,00% ao ano, ou 2,96% ao semestre) vezes o VNA calculado para aquela data. As datas de pagamentos de cupons são retroativas ao vencimento. Assim, para uma NTN-B com vencimento em 15-08-2006, os cupons serão pagos em 15-08-2006, 15-02-2006, 15-08-2005 e assim sucessivamente.
  • Bullet (sem cupom): Título que não paga cupom. O único valor pago é o valor do principal na data de vencimento (geralmente R$1.000,00 ou R$1.000,00 corrigido pelo VNA).

Conclusão

A metodologia de cálculo dos preços é complicada, mas o entendimento dos preços não é. Caso você queira aprender a calcular o preço dos títulos, sugiro que dê uma olhada na metodologia de cálculo.
Mas, como disse anteriormente, o entender o preço de cada título é simples. Já adianto que todos os títulos estão, de alguma forma, relacionados com o valor R$ 1.000,00. Para confirmar, explicarei cada um deles:
LTN: O valor do título na data de vencimento será R$ 1.000,00. O preço dele no momento da compra equivale a R$ 1.000, descontado pela taxa de compra. Ou seja, se você aplicar a taxa de compra sobre o valor do preço da compra, terá no final do prazo, exatamente R$ 1.000,00.
NTN-F: O valor no vencimento também será R$ 1.000,00. A diferença para a LTN é que a taxa de desconto é bem menor (o preço é bem mais próximo de R$ 1 mil), já que ele paga anualmente 10,00% em cupons.
NTN-B: O preço de compra equivale a R$ 1.000,00, atualizado desde a data-base pelo IPCA. Como a variação do IPCA entre 15/07/2000 a 30/09/2011 foi de 106,69%, o preço do título seria R$ 2.066,87. A diferença entre NTN-Bs com vencimentos diferentes é a taxa de compra em relação ao cupom anual (6,00%). Como atualmente as taxas estão menores que o cupom, eles precisam ser vendidos acima do VNA, para dar esse desconto.
NTN-B Principal: Mesma explicação acima para chegar ao preço de R$ 2.066,87. A diferença é que, como não paga cupons, a taxa de compra tem que ser descontada do preço para, no final do prazo, o investidor receber exatamente o VNA na data de vencimento. Por isso que, assim como a LTN, quando maior o prazo, menor o preço.
LFT: Ainda mais simples que a NTN-B. O preço de compra equivale a R$ 1.000,00, atualizado desde a data-base pela Selic. Como a variação da Selic entre 01/07/2000 a 30/09/2011 foi aproximadamente 390%, o preço do título seria próximo a R$ 4.900,00. Como não paga cupom ou prêmio, o preço é exatamente o mesmo, independente do vencimento.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Inflação será de, no mínimo, 6,5% em 2013 e 2014, prevê MB Associados

No caso de uma crise aguda, o IPCA esfriaria em 2012, mas explodiria nos dois anos seguintes


Inflação
Inflação no Brasil pode beirarr os dois dígitos em caso de crise mais aguda
São Paulo – A consultora MB Associados, uma das maiores do mercado, projeta um cenário sombrio para a inflação brasileira no médio prazo.

As previsões têm como premissa a continuidade da queda de juros nas próximas reuniões do Banco Central (BC). Em agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 12,50% para 12% ao ano.
A consultoria, comandada pelo ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda José Roberto Mendonça de Barros, traça dois cenários para a crise internacional (veja tabela na próxima página).
No primeiro – considerado o mais provável –, não há uma crise aguda na Europa. O Brasil cresceria em torno de 4% neste ano e em 2012, desacelerando um pouco a inflação. Depois, no entanto, passaria a ter expansão mais robusta do seu Produto Interno Bruto (PIB), levando o IPCA para o teto da meta (6,50%).
“Pode haver vários momentos de inflação novamente acima desse patamar, como estamos justamente agora. O risco eventual que corremos é que a inflação discutida não seja 6,5%, mas um número maior do que isso”, escreve o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, em relatório distribuído a clientes.

No segundo cenário, a Grécia dá um calote sem grandes negociações, gerando uma crise bancária – com efeitos semelhantes a 2008 e 2009. Nesse contexto, o Brasil teria um 2012 perdido (crescimento zero). “Poderia ser até mais negativo do que em 2009 porque a crise atual, se ocorrer, poderá ter consequências mais graves para o crescimento mundial do que naquele momento. A razão básica é que não existem mais instrumentos fortes de recuperação econômica para esses países”, explica Sérgio Vale.

A inflação deixaria de ser um problema em 2012, mas uma bomba-relógio estaria armada para os dois anos seguintes.” O pior viria em 2013 e 2014, quando os efeitos excessivamente estimulantes da política econômica levaria nosso crescimento para a casa dos 8% e aí estaríamos falando em inflação que começa a ficar fora do controle, com números que começam a beirar os dois dígitos.”
A consultoria afirma que o governo Dilma está reeditando o modelo econômico da época de Ernesto Geisel, presidente de 1974 a 1979. “Contra uma crise externa forte, a reação é fazer a economia crescer mais ainda. Aquela decisão levou a aumento do endividamento externo e inflação.”
“Qual deverá ser o resultado no longo prazo se essa política perdurar? Teremos uma inflação que gradualmente se elevará, o que exigirá um choque eventual mais forte para trazer a inflação para baixo”, conclui Sérgio Vale.
  Sem crise aguda Sem crise aguda Com crise aguda Com crise aguda
Fonte: MB Associados
Ano/Variável PIB IPCA PIB IPCA
2011 3,8% 6,5% 3,2% 6,4%
2012 4,0% 5,7% 0,0% 4,7%
2013 6,0% 6,5% 8,0% 7,5%
2014 5,0% 6,5% 6,0% 8,5%