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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

As ações brasileiras mais ameaçadas pela crise da Europa

 

Analistas do Bank of America destacam as empresas mais expostas à crise

Navios com contêineres de importação e exportação
Os resultados das exportadoras de commodities podem ser afetadas pelos menores preços

São Paulo – As ações das empresas em todo o mundo têm sido afetadas pela maior aversão ao risco dos investidores com os problemas da dívida na zona do euro, mas na América Latina existem preocupações específicas que podem atrapalhar ainda mais o desempenho de algumas delas na bolsa.
 
Os analistas do Bank of America Merrill Lynch traçaram 4 vias em que a crise pode afetar os papéis na região: exportações mais fracas, menores preços das commodities, preocupações sobre a governança corporativa e um menor acesso a recursos financeiros no mercado de capitais.
“No ponto atual, não acreditamos que esses canais sejam fortes suficientes para justificar uma ação imediata sobre as empresas afetadas. Mas dado o quão frágil é o equilíbrio na Europa, os investidores devem considerar esse roteiro para agir em caso de riscos remanescentes”, destacam Pedro Martins, Renato Onishi e Marina Valle.
A equipe europeia do banco reduziu a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro para 2012 de 0,8% para -0,6%. Os economistas levaram em consideração uma política fiscal mais apertada na região, a desalavancagem bancária e as menores condições de crédito e um alto nível de incerteza sobre a crise das dívidas soberanas.

1 – Exportações
O banco explica que o impacto direto da queda das exportações é limitado. Os embarques dos países da América Latina para a Europa em relação ao PIB correspondem a apenas 16%, sendo o Brasil e Peru os mais expostos (21% do total).
Veja as empresas brasileiras mais expostas às vendas para a região, dentro das analisadas pelo banco:

EmpresaCódigoExposição
MarfrigMRFG334%
FibriaFIBR331%
IochpeMYPK427%
WegWEGE323%
SuzanoSUZB620%
MetalfrioFRIO320%

2 – Impacto nas produtoras de commodities
Os analistas avaliam que os resultados das exportadoras de commodities podem ser afetadas pelos menores preços, principalmente para o petróleo, papel e celulose.
“Por outro lado, as commodities metálicas e outras estão mais proximamente ligadas às perspectivas das demandas dos mercados emergentes, mais notadamente a China”, dizem.
Para o banco, as brasileiras mais expostas são: CSN (CSNA3), Fibria (FIBR3), Gerdau (GGBR4), MMX (MMXM3), Suzano (SUZB6) e Usiminas (USIM3; USIM5).

3 – Empresas controladas

As companhias que têm o controle europeu também podem ser afetadas pela crise. A controladora pode, por exemplo, solicitar o envio de mais dividendos das subsidiárias, o que pode afetar os investimentos da empresa em seu negócio local. Além disso, sem o apoio externo, elas ficam sozinhas em uma eventual necessidade de capital.
“Vale lembrar que mesmo durante a severa desaceleração econômica após a quebra do Lehman em 2008-2009 não afetou materialmente os planos de crescimento das empresas na América Latina controladas por acionistas americanos ou europeus. A principal razão disso foi que a região iria continua a oferecer altos níveis de crescimento com um risco macroeconômico decrescente”, explicam.
As brasileiras com controle ou acionistas europeus são: AmBev (AMBV4), Pão de Açúcar (PCAR4), Energias do Brasil (ENBR3), Ecorodovias (ECOR3), OHL (OHLB3), Santander Brasil (SANB3), Souza Cruz (CRUZ3), Telefônica Brasil (VIVT4), TIM (TCSL4), Tractebel (TBLE3) e Wilson Sons (WSON11).

4 – Congelamento do mercado de capitais
Os analistas destacam que um calote desordenado na Europa pode levar a uma lembrança de 2008 quando o mercado de crédito literalmente foi desligado. Mas essa não é a expectativa deles, mostra o relatório.
“A América Latina não está exposta a uma crise sistêmica de crédito caso as preocupações sobre as dívidas soberanas e dos bancos escalem na Europa, mas não deve passar sem arranhões”, explicam. A região pode sofrer uma contração significativa nas linhas de crédito.
As companhias que possuem um maior nível de fluxo de caixa livre, e devem ser menos afetadas, são: Telefônica Brasil (VIVT4), Randon (RAPT4) e TIM (TCSL4). As que possuem um menor fluxo livre são: Suzano (SUZB6), MMX (MMXM3), B2W (BTOW3), Log-In (LOGN3), Lupatech (LUPA3), Marfrig (MRFG3), Wilson Sons (WSON11), SLC Agrícola (SLCE3) e Minerva (BEEF3).

Na Itália, não pode acabar em pizza

Antes restrita aos países da periferia da Europa, a crise bate na porta da Itália, a terceira maior economia do euro, e deixa o mundo com medo de um novo momento Lehman Brothers

Silvio Berlusconi
Il cavaliere Berlusconi: para seus pares, “um sujeito relapso e irresponsável”

São Paulo - A crise econômica tem deixado um rastro de destruição na política europeia. Em fevereiro, o então primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, foi derrotado nas eleições locais. Em março, José Sócrates renunciou ao posto de primeiro-ministro de Portugal.
Em seguida, o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero anunciou que não encabeçaria a lista dos socialistas numa nova eleição — que será realizada no final deste mês.
Na primeira semana de novembro foi a vez de George Papandreou — o atrapalhado primeiro-ministro grego, que, em questão de seis dias, lançou a ideia de um referendo popular para votar o pacote de ajuda a seu país e acabou perdendo o apoio do próprio partido. O próximo na linha de tiro é o italiano Silvio Berlusconi, o mais polêmico, falastrão e importante de todos eles.
Em 8 de novembro, dia do fechamento desta edição, Berlusconi viu o apoio a seu governo minguar na votação sobre os gastos do ano passado. A prestação de contas foi aprovada, mas, com 321 abstenções, ficou claro que o premiê italiano não contava mais com a maioria no Parlamento.
Depois de se reunir com o presidente Giorgio Napolitano, Il Cavaliere, como Berlusconi é chamado na Itália, anunciou o plano de renunciar após o Parlamento votar o pacote de austeridade prometido à União Europeia, que inclui uma reforma da previdência e das leis trabalhistas, além de privatizações. Ainda sem data marcada, a votação deve ocorrer nas próximas semanas.
Embora a Grécia hoje simbolize tudo o que há de errado na zona do euro, sua débâcle não pode ser comparada a um eventual e temido calote italiano. Historicamente, a dívida da Itália sempre foi alta. Hoje equivalente a 121% do PIB, é a segunda maior da Europa, atrás somente da grega.
Até o ano passado, o alto endividamento era considerado mais uma marca do país — assim como a pizza napolitana e os canais de Veneza. Diante do agravamento da crise na periferia da Europa, a percepção do que é arriscado mudou.
Desde que a Grécia, que já havia sido socorrida pelo FMI em maio de 2010, voltou a flertar com uma moratória, parte dos investidores iniciou uma corrida para se livrar de papéis da Itália, um país que, além da dívida, carrega o estigma do crescimento lento e da confusão política.
Desde agosto, o Banco Central Europeu (BCE), agora comandado pelo italiano Mario Draghi, comprou o equivalente a 70 bilhões de euros em títulos da dívida italiana. Mas isso não foi o suficiente para acalmar os investidores.
Um recente anúncio do banco francês BNP Paribas deu o tom do momento: depois de afirmar que haviam vendido 40% de seu estoque em papéis italianos, seus executivos foram aplaudidos. Os investidores que aceitam comprar os títulos estão exigindo juros cada vez mais altos. No fechamento desta edição, a taxa chegou a 6,77% ao ano, o nível mais elevado desde a criação do euro, em 1998. 
Paura, paura
O maior temor hoje é que, como consequência do medo dos investidores, a dívida italiana se torne impagável. A crise grega, então, passaria a ser brincadeira de criança. Itália e Grécia têm economias de tamanho e sofisticação diferentes. O PIB grego equivale ao da região metropolitana de São Paulo.
A Itália é a segunda maior potência industrial da Europa, depois da Alemanha, tem o terceiro maior PIB da zona do euro e o oitavo maior do mundo. As riquezas produzidas no país são equivalentes à soma das de Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia. 
Como a Itália não é a Grécia, os efeitos de uma moratória italiana também seriam de outra categoria. Para muitos analistas, a própria sobrevivência do euro estaria, então, em perigo.
“Um calote da Itália seria, com certeza, como um novo momento Lehman Brothers na economia mundial”, diz Barry Eichengreen, professor de economia da Universidade da Califórnia.
“Seria algo próximo ao fim do mundo. Por isso precisa ser evitado de qualquer maneira”, diz Mauro Guillén, diretor do centro de negócios internacionais da escola de administração Wharton, da Universidade da Pensilvânia.
O que torna a situação especialmente dramática é a falta de confiança de parte do mercado na capacidade dos políticos italianos de enfrentar a resistência dos sindicatos, aprovar e depois colocar em prática o plano de austeridade prometido à União Europeia
Em outras palavras, muitos duvidam que o país comece a reduzir seu nível de endividamento no curto prazo. “O Japão tem uma dívida elevada, mas ainda assim é um porto seguro, porque tem credibilidade entre os investidores. Esse não é o caso da Itália”, diz o italiano Alessandro Magnoli Bocchi, ex-economista do Banco Mundial.
No final de outubro, no encerramento de uma cúpula europeia, o presidente francês Nicolas Sarkozy foi perguntado se havia cobrado Berlusconi a respeito das reformas na Itália. E se ele, Sarkozy, tinha certeza de que Berlusconi estava ouvindo.
Num gesto raríssimo entre mandatários europeus, Sarkozy olhou para a premiê alemã, Angela Merkel, a seu lado, e os dois, cúmplices, deram um sorriso irônico.
“Seus pares e o mercado veem Berlusconi como um sujeito relapso e irresponsável”, disse a EXAME o italiano Giovanni Sartori, que, aos 87 anos, é um dos mais respeitados cientistas políticos em todo o mundo. “Sua decisão de sair é mais que acertada.”
Mesmo ridicularizado no exterior e sem apoio interno, Berlusconi busca uma saída por cima. Ao convocar a votação do pacote de austeridade, jogou a pressão para o Parlamento.
Eleito três vezes, Berlusconi é o primeiro-ministro há mais tempo no poder desde o pós-guerra. O que acontecerá após sua renúncia? O presi­dente Napolitano pode determinar a formação de um governo provisório até as eleições previstas para 2013 ou pode antecipar o pleito imediatamente — tese defendida por Berlusconi. Ou seja, o passeio dos italianos pela bei­ra do abismo parece estar longe de acabar. Por enquanto, o grand finale não tem data marcada.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Bovespa segue exterior e fecha com queda de 2,50%

A promessa de renúncia do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, não enfeitiça mais o mercado e os investidores trataram de fugir do risco

 
Funcionários da Petrobras na Bacia de Campos
Funcionários da Petrobras na Bacia de Campos: o adiamento de leilões vem desapontando os investidores

São Paulo - A Bovespa acompanhou de perto o desempenho dos mercados internacionais e fechou em forte queda, perdendo de uma vez o patamar de 59 mil pontos e de 58 mil pontos, para fechar no menor nível desde o primeiro pregão do mês. A promessa de renúncia do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, não enfeitiça mais o mercado e os investidores trataram de fugir do risco. O aumento das margens para a negociação dos títulos soberanos italianos adicionou estresse.
O Ibovespa terminou o dia em baixa de 2,50%, aos 57.549,74 pontos, menor nível desde os 57.322,75 pontos registrados no primeiro pregão do mês. Na mínima, registrou 57.201 pontos (-3,09%) e, na máxima, 59.011 pontos (-0,03%). No mês, voltou a acumular perda, de 1,35% e, no ano, cai 16,96%. O giro financeiro totalizou R$ 6,084 bilhões. Os dados são preliminares.
O cenário instável na Europa, sobretudo em Itália e Grécia, fez com que os investidores fugissem do risco. Hoje, com a chamada de margem da câmara de compensação LCH.Clearnet, os preços dos bônus da Itália despencaram, provocando um forte aumento no yield (retorno ao investidor), que levou as taxas para novos recordes desde a criação do euro.
As bolsas, assim, desabaram. A da Grécia até que caiu pouco (-1,70%), antes da notícia de que o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, do Partido Socialista (Pasok), e Antonis Samaras, presidente do partido Nova Democracia e representante da oposição, não conseguiram chegar a um acordo sobre quem deve comandar o próximo governo de coalizão grego, forçando o presidente do país, Karolos Papoulias, a convocar uma reunião com líderes políticos na quinta-feira para tentar resolver o assunto. Mais cedo, uma fonte havia dito que o presidente do parlamento da Grécia, Fillipos Petsalnikos, assumiria o cargo de primeiro-ministro, mas aparentemente os políticos gregos desistiram da decisão.
A situação europeia afetou o comportamento das bolsas nos EUA, que tombaram. Às 18h17, o Dow Jones desabava 3,03%, o S&P recuava 3,40% e o Nasdaq tinha baixa de 3,55%. Na Nymex, o contrato do petróleo para dezembro encerrou em queda de 1,09%, a US$ 95,74 o barril.
No Brasil, apenas seis ações terminaram em alta. Petrobras ON despencou 4,71% e a PN caiu 4,24%. Vale ON perdeu 1,64% e a PNA, -1,58%. Gerdau PN, -2,56%, Metalúrgica Gerdau PN, -2,83%, Usiminas PNA, -1,50%, CSN ON, -4,06%. No setor financeiro, Bradesco PN, -1,60%, Itaú Unibanco PN, -2,52%, BB ON, -2,72%, e Santander unit, -2,26%.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

CVM estuda permitir ETF de renda fixa a pedido da Anbima

Proposta deverá ir para audiência pública durante o primeiro semestre de 2012


Pregão da Bovespa

Atualmente apenas ETFs de ações podem ser negociadas na bolsa brasileira
Rio de Janeiro e São Paulo - A Comissão de Valores Mobiliários está estudando permitir a criação de ETFs, ou fundos de que são listados e negociados em bolsas, para renda fixa.
A CVM pretende colocar a proposta em audiência pública no primeiro semestre do ano que vem, disse a superintendente de Desenvolvimento do Mercado da CVM, Flávia Mouta Fernandes, ontem em entrevista por telefone do Rio. De acordo com ela, a mudança foi um pedido da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais. Atualmente, a Instrução 359 da CVM só permite os ETFs de ações.
ETFs para renda fixa podem ajudar a desenvolver o mercado de capitais local, já que eles aumentam o volume negociado na bolsa. Esses fundos podem também aumentar o volume nos mercados secundários de títulos porque precisam comprar e vende títulos. Os fundos desse tipo são comuns nos Estados Unidos e na Europa. Os ETFs de renda fixa nos Estados Unidos captaram US$ 3,8 bilhões em outubro, com queda em relação a setembro, quando chegavam a US$ 5,7 bilhões, de acordo com o Deutsche Bank.
No mundo os ETFs de todas as modalidades somam US$ 1,3 trilhão, segundo o banco.
A CVM também pretende colocar em audiência pública a possibilidade de ETFs para índices de ações de outros países, como o S&P 500 dos Estados Unidos, disse Fernandes. Hoje, os ETFs no Brasil só podem ser baseados em ações ou índices listados no País.
Em outubro, ETFs representavam apenas 1 por cento do volume total da Bovespa, de acordo com números divulgados ontem. A bolsa de Nova York, eles representam cerca de 25 por cento.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Investir em ações é diferente de investir no Ibovespa

Quando queremos comparar o desempenho do mercado de ações com outros mercados, a principal ferramenta de comparação é o desempenho do Ibovespa, principal índice da BM&FBovespa. Já quando falamos em renda fixa, utiliza-se a variação do CDI em determinado período.
Partindo deste princípio, é possível chegar a conclusões como “nos últimos 17 anos, a renda fixa ganhou da bolsa de valores“. No entanto, a conclusão correta por trás dessa afirmação é que a performance do CDI foi melhor que o Ibovespa nos últimos 17 anos. E não que investir em ativos de renda fixa é melhor que investir em ações.
O objetivo deste artigo é mostrar que existe uma grande diferença entre investir em ações e investir no Ibovespa. Para tanto, vou explicar o que significa investir em cada um deles e dar exemplos reais para mostrar essa distinção.

O que é o Ibovespa?

O Índice Bovespa é o mais importante indicador do desempenho médio das cotações do mercado de ações brasileiro. Sua relevância advém do fato do Ibovespa retratar o comportamento dos principais papéis negociados na BM&FBOVESPA (Fonte: site da BM&FBovespa).
Em outras palavras, o Ibovespa é uma média ponderada do desempenho das ações mais negociadas (não necessariamente as melhores). A carteira do Ibovespa é atualizada periodicamente e pode ser consultada aqui.

Como investir no Ibovespa?

A melhor forma, na minha opinião, para se investir no Ibovespa é através de fundos ETF. Além de seguir – quase que fielmente – o índice, a taxa de administração desses fundos é baixíssima (abaixo de 1% a.a.).
E para quem acha em investir no Ibovespa é ruim, uma pesquisa muito interessante, publicada no site HC Investimentos, do meu amigo Henrique Carvalho, mostra que 66% dos fundos de investimento perdem para o Ibovespa.

Então, afinal, o que é investir em ações?

Investir em ações significa definir um método para escolher ações para comprar e – principalmente – uma estratégia para aproveitar os altos e baixos do mercado. Além de identificar quais ações você deve comprar, é necessário também saber quando comprar e também quando vender.
Escrevi recentemente o artigo “A fórmula mágica de Greenblatt“, que mostra como escolher as melhores ações para comprar levando em consideração os índices P/L (preço por ação / lucro por ação) e ROE (lucro líquido / patrimônio líquido). Trata-se de um método de escolha bem interessante e que vale a pena ser analisado.

Casos reais

Apesar do Ibovespa superar 66% dos fundos de investimento existentes no mercado, existem gestores que sabem escolher as melhores ações para investir como ninguém, obtendo uma rentabilidade muito superior ao Ibovespa e ao CDI (principal índice para renda fixa).
Um excelente exemplo foi apresentado no artigo “10 melhores fundos de investimento da última década“. Enquanto o Ibovespa teve uma variação positiva de 210% entre janeiro de 2000 e 5 de agosto de 2011, o melhor fundo dos últimos 10 anos rendeu mais de 2.200% no mesmo período. Mesmo o décimo colocado teve um resultado infinitamente superior: 897,07%.

Conclusão

Pelo que foi mostrado acima, é possível concluir que investir em ações é bem diferente de investir no Ibovespa. Dessa forma, afirmar que o mercado de renda fixa foi melhor que o mercado de ações, por exemplo, nos últimos 10 anos, é um equívoco.
O CDI até pode ter sido superior ao Ibovespa neste período, mas existem várias carteiras de ações com desempenho muito superior ao principal benchmark de renda fixa.
Por fim, porém não menos importante, é essencial enfatizar que investir diretamente em ações não é uma tarefa fácil. Não é à toa que existem tantos fundos de investimento, pois eles se assumem a tarefa de escolher as ações para você, em troca das taxas de administração (algumas muito salgadas, por sinal).
No entanto, obter um desempenho superior ao Ibovespa e – principalmente – CDI não é impossível. Na verdade, no longo prazo, o desempenho de uma carteira de ações bom montada pode ser infinitamente superior ao CDI.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Um guia para quem planeja começar a investir na bolsa


Caso as taxas de juros continuem a cair nos próximos anos, aplicar em renda variável vai se tornar praticamente obrigatório no Brasil


No futuro, investimentos em renda fixa podem não ser as melhores opções
São Paulo - Se antigamente existia a cultura de que quem investe em bolsa de valores é especulador ou milionário e que os fundos de renda fixa são uma forma segura e viável de multiplicar o patrimônio, hoje em dia esse panorama já começa a mudar. A imensa maioria dos agentes do mercado financeiro acredita que, se o Brasil continuar a dar certo, os juros pagos por investimentos em fundos de renda fixa ou DI tendem a ser cada vez menores.

Aplicar ao menos uma parte do patrimônio em bolsa passará a ser, portanto, praticamente obrigatório - seja para garantir uma aposentadoria confortável, seja para obter o retorno necessário para comprar um bem no futuro. "A tendência é que a taxa de juros caia cada vez mais, e será mais difícil ganhar dinheiro com a renda fixa", explica Paulo Mazon, diretor de varejo da Win Trade.

Se o Brasil deixar de ser o paraíso dos juros altos, há uma série de razões para acreditar que a bolsa será o caminho a ser seguido por quem tem dinheiro para investir. O primeiro deles é a experiência internacional. Nos Estados Unidos, mais de 90 milhões de pessoas físicas aplicam em ações. No Japão, são 27 milhões. A meta da BM&FBovespa é elevar o número de pequenos investidores de 500.000 para 5 milhões em cinco anos.
Outro motivo para as pessoas irem à bolsa é que, no longo prazo, os investimentos em renda variável costumam ser os mais rentáveis. "Neste tipo de mercado, o investidor, além de receber bons dividendos, irá se beneficiar do crescimento da economia do país e de suas grandes empresas", diz Mazon.

Por último, investimentos em bolsa oferecem uma liquidez maior que outras opções de aplicações com algum risco. Quem opta por investir nas maiores empresas da bolsa pode comprar e vender papéis quando quiser sem ter de se sujeitar a pagar comissões e impostos altos nem ter de pagar um prêmio se tiver pressa em se desfazer de algum ativo.

O principal inconveniente da bolsa é o risco. Ninguém sabe quando o mercado vai subir ou cair - nem mesmo os melhores gestores e investidores do mundo. Portanto, a compra de ações só é recomendada para quem não planeja mexer no dinheiro por alguns anos - já que haverá tempo suficiente para que eventuais perdas sejam recuperadas.


Como começar

É possível investir na bolsa de três maneiras diferentes. Uma delas é individualmente. A pessoa deve procurar uma corretora para intermediar as operações, transmitindo as ordens de compra e venda de papéis. Nesse caso, a decisão de investimento cabe a pessoa física, que optará por comprar ou vender determinada ação.

Outra maneira é formando um clube de investimentos com amigos ou membros da família. O grupo procura a corretora que irá administrar os negócios e elege um membro para ficar em contato direto com o corretor. Esse membro poderá ou não tomar decisão em nome dos outros membros do clube – é o estatuto que vai definir a quem cabe, em última instância, o direito de decidir que papéis comprar.

E, por fim, pode-se ainda investir através de um fundo de investimentos. Compram-se cotas de fundos de ações que são administrados por gestores profissionais independentes ou ligados a alguma instituição financeira. E é o gestor que procura as melhores oportunidades na bolsa - no caso, ações a preços baixos ou com bom potencial de retorno.

O investidor será informado periodicamente pelo gestor sobre os resultados do investimento, mas pouco poderá influir na tomada de decisão. É necessário, portanto, procurar algum gestor com boa reputação no mercado antes de entregar-lhe o dinheiro. Especialistas recomendam verificar no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) se os responsáveis por determinado fundo são profissionais reconhecidos pelo órgão. 

E, se você tenha tempo e interesse em estudar o mercado de ações e decidir gerir os próprios investimentos, o primeiro passo é  escolher uma corretora. Erra quem decide contratar a corretora que oferece apenas o menor preço para o envio de ordens para a compra e a venda de ações.

 Estrutura de aconselhamento, distribuição de relatórios de analistas, realização de cursos, ajuda na montagem de operações para a proteção da carteira e estabilidade do sistema são alguns diferenciais importantes que tornam determinadas corretoras mais interessantes do que outras. "É bom avaliar o número de empresas que a corretora tem analistas para cobrir, pois só nesses casos o investidor poderá contar com orientação", alerta Hélio Pio, gerente comercial da ÁgoraInvest.

Depois que tiver escolhido a corretora, o investidor passa para a parte burocrática. Será necessário abrir uma conta na corretora na qual ele irá depositar o montante a ser investido. A corretora será remunerada sempre que o investidor comprar ou vender algum ativo por meio de uma comissão fixa ou um percentual da transação.

Algumas instituições também cobram uma taxa pela custódia dos papéis comprados, que será repassada à Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Por último, a cada transação será necessário pagar emolumentos à BM&FBovespa. 
O beabá do mercado

Quando o critério é o tamanho da empresa, existem três tipos de ações. As chamadas "blue chips", ou ações de primeira linha, são as mais aconselhadas para investidores iniciantes. Com bons índices de liquidez e volume de negócios na bolsa, essas ações são provenientes de grandes companhias, de boa credibilidade no mercado.
Já  ações ditas de segunda linha são papéis menos negociados que as primeiras. Por fim, existem as ações de terceira linha, com liquidez ainda menor e pertencentes a médias ou pequenas empresas.

Depois, escolhe-se qual a modalidade da ação. Boa parte das companhias tem papéis preferenciais e ordinários. Se a ação for preferencial, o investidor terá prioridade sobre os demais na distribuição de dividendos, mas, em compensação, não poderá participar da tomada de decisão em assembleias de acionistas.

Isso quer dizer que, se a diretoria da empresa decidir vendê-la por um preço abaixo do valor de mercado, por exemplo, o investidor não poderá votar contra a operação. As ações preferenciais podem ser identificadas quando há a sigla PN após o nome da empresa ou pelo número 4 no código de negociação. As preferenciais da Petrobras, por exemplo, podem ser chamadas de Petrobras PN ou pelo código PETR4.

Já as ações conhecidas como ordinárias dão direito a voto. O investidor poderá participar de todas as assembleias convocadas para que uma empresa decida sobre seu próprio futuro. Em geral, essa é a ação que costuma ser detida pelo acionista controlador da companhia. De certa forma, os minoritários ficam mais protegidos ao comprar este tipo de ação, porque dificilmente o dono de uma empresa irá tomar uma decisão que prejudique a ele mesmo.

Entender os termos usados no mercado financeiro, no entanto, é apenas o começo do trabalho do investidor. A BM&FBOVESPA aconselha analisar três pontos antes de escolher as ações que irão formar sua carteira de investimentos: a rapidez com que um papel pode ser comprado ou vendido elo preço de mercado (liquidez), o potencial de retorno (também conhecido no jargão de mercado como "upside") e o risco ("downside").
O grande problema é fazer uma análise de todos esses fatores com uma quantidade bastante limitada de informações. Todas as companhias listadas só podem divulgar informações relevantes ao mercado como um todo.
As informações publicadas geralmente não são de fácil entendimento para quem não tem um conhecimento aprofundado de contabilidade. E nenhuma empresa tem a estrutura necessária para tirar individualmente dúvidas de todos os potenciais investidores.

Decididas quais e quantas ações serão compradas, chega a hora de passar a ordem para a corretora. O investidor pode fazer isso pela internet (via home broker) ou por telefone - essa última opção pode ser mais cara. Três tipos de operações podem ser contratadas: ordem a mercado, ordem limitada e ordem casada.

A ordem a mercado apenas especifica a quantidade e o tipo de ações que serão compradas. Se houver uma pessoa interessada em vender a ação pelo preço oferecido, a transação é fechada. A ordem limitada, por sua vez, executa a compra da ação por um preço igual ou melhor que o especificado pelo investidor.

 Já a ordem casada, como o próprio nome diz, "casa" uma ordem de compra e uma de venda e são executadas simultaneamente. Assim que a ordem, enviada pela corretora à bolsa, for executada, o investidor passa a ser, finalmente, dono daquela ação e, de certa maneira, sócio da empresa emissora do papel.


Antes de começar
Muita gente começa a investir na bolsa em um momento de alta, ganha dinheiro durante algum tempo e, quando o mercado vira, perde tudo o que havia ganho e muito mais. Por isso, são incontáveis os casos de investidores que deixaram a bolsa após menos de um ano. Abaixo o Portal EXAME publica as principais dicas de especialistas para não perder dinheiro por falta de experiência com a bolsa:

Conheça a si mesmo
Antes de qualquer movimento, você precisa saber qual é o seu perfil de investidor (clique aqui e faça o teste). Saber qual o grau de tolerância você tem a riscos e quanto tempo pretende manter o investimento antes de resgatá-lo vão lhe ajudar a escolher as melhores ações para sua recém-criada carteira.

Só invista com horizonte de longo prazo
Separe o que faz parte do seu pé de meia do montante que pode investir. E nunca utilize uma quantia de dinheiro que você sabe que irá precisar em pouco tempo. Renda variável, dizem especialistas, é sinônimo de longo prazo.

Escolha uma boa corretora
Para saber se a corretora é boa, consulte o site da CVM e cheque se ela tem os registros pertinentes para operar. Observe qual o nível de abrangência dos serviços que presta (Quantas empresas cobre? Que empresas são essas?) e, por fim, escolha aquela cuja equipe considere a mais bem preparada para lhe atender.

Não invista todo seu dinheiro na bolsa
Agora que você já tem o capital do investimento separado e uma boa corretora, pode pensar na porcentagem que irá aplicar em renda variável e quanto irá manter na renda fixa.

Compre ações aos poucos
Não entre pesado na bolsa logo de cara. Comece aplicando na renda variável no máximo 20% de seu capital e mantenha os outros 80% em renda fixa ou em poupança. Nada de ir com sede ao pote e arriscar tudo. Você pode ganhar muito dinheiro, mas pode perder tudo também.

Aposte também em dividendos
Eleve a frequência e os valores do investimento somente à medida que seus conhecimentos da bolsa amadureçam. Mantenha aplicações constantes e programadas, como uma poupança. E não se esqueça de comprar também ações de empresas que podem não possuir um enorme potencial de crescimento, mas que pagam bons dividendos. "É o que deixa alguém rico", explica Mazon, da WinTrade.

Mantenha-se informado
Saiba tudo o que puder a respeito das empresas cujas ações compõem sua carteira de investimento. Escolha as ações de companhias com boa governança e que estejam inseridas em setores da economia nos quais você acredita.

Tenha paciência
Aplicar na bolsa não é sinônimo de dinheiro rápido no curto prazo. Às vezes é necessário esperar um bom tempo para obter bons lucros. Lembre-se do que diz Warren Buffett, talvez o homem que mais ganhou dinheiro em bolsa. Segundo ele, o mercado acionário é uma forma eficiente de transferir dinheiro do apressado para o paciente.

Bradesco cria empresa de administração imobiliária

BSP nasce com carteira de 840 imóveis e valor de R$ 3,8 bilhões


Frente do Banco Bradesco
Agência do Bradesco: imóveis do banco serão administrados pela BSP
São Paulo – O Bradesco anunciou, nesta segunda-feira, a criação da BSP Empreendimentos Imobiliários. A empresa nasce com uma carteira de 840 imóveis, com valor de mercado de aproximadamente 3,8 bilhões de reais, segundo comunicado do banco.
A instituição justificou a nova empresa, afirmando que a BSP vai fortalecer e completar as operações do Bradesco na gestão de ativos imobiliários próprios; melhorar o uso dos imóveis já pertencentes ao banco; e identificar oportunidades de aproveitar melhor esses ativos, bem como eventuais aquisições.