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quarta-feira, 13 de junho de 2012


Se tudo der errado na Europa, para onde vai a bolsa?

Do sossego ao caos, Citi elaborou três cenários possíveis e apontou os melhores ativos brasileiros para cada um deles

São Paulo - Grécia sai ou não sai? Bancos espanhóis quebram ou não? O que vai acontecer com a Europa e com a zona do euro, ninguém sabe ao certo.A equipe de análises da Citi Corretora, naturalmente, não tem a resposta para o problema, mas traçou três cenários possíveis para o andamento da crise na Europa e escolheu os papéis para atravessar cada uma dessas situações.
Cenário 1 - Recuperação no segundo semestre
Perfil das empresas: crescimento a um preço razoávelNesse cenário, os analistas do Citi projetam um retorno de 20% a 25% em dólar até o final do ano, impulsionado por uma redução das incertezas na Europa.
Nesse caso, conforme estimou a equipe de análises econômicas do Citi, haveria uma probabilidade de 65% de uma recessão prolongada, mas modesta, na zona do euro, com contração de 1% neste ano, e um crescimento de 2% nos Estados Unidos.
As escolhidas - Cosan Limited, Iochpe-Maxion, Embraer e Duratex.
Cenário 2 - Recessão mais profunda na Europa
Perfil das empresas: voltadas ao mercado doméstico, com fluxo de caixa positivo.
Nesse caso, existiria uma probabilidade de 15% de uma recessão mais profunda na Europa, com contração de 2,5%, e de um crescimento ainda "decente", como dizem os analistas da Citi, nos Estados Unidos, de 1,75%.
Com um quadro desses, a preocupação com um "pouso forçado'' na China aumentaria, o que faz aumentar a aposta em empresas com maior exposição ao mercado doméstico.
As escolhidas - Itaú Unibanco, Banco do Brasil, MRV e Rossi Residencial.
Cenário 3 - Instabilidade severa
Um cenário assim tem uma chance de 20% de acontecer, segundo os economistas do Citi. Isso poderia ocorrer com a queda de uma grande instituição, uma correria nos mercados de títulos dos governos ou uma saída desordenada da Grécia da zona do euro.
Num momento como esse, poderia ocorrer uma contração de 5% na economia da zona do euro, parecido com o que aconteceu com os Estados Unidos após a quebra do Lehman Brothers, e uma contração de 2% nos Estados Unidos.
Perfil das empresas: defensivas, com beta (correlação com a bolsa) baixo e dividendos elevados.
As escolhidas - Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, AES Tietê, Telefônica Brasil, Eletrobras e Cemig.

domingo, 3 de junho de 2012

Panorama Mensal do Mercado




Europa: Espanha e Grécia em foco

Maio foi um mês marcado pelo aumento das tensões quanto ao futuro da sustentabilidade do Bloco, onde a complicada situação do sistema bancário espanhol e o delicado quadro político grego fizeram o mercado precificar uma maior probabilidade de um cenário de ruptura da Zona do Euro. Neste contexto, o yield do título de 10 anos espanhol iniciará o mês de junho próximo ao nível fatídico de 7%, no qual vimos Portugal, Irlanda e Grécia tendo de recorrer a ajuda dos fundos de estabilização e FMI para rolarem e administra-rem suas dívidas. Vale ressaltar que a Espanha é a quarta maior economia do Bloco e representa praticamente o dobro destes três países juntos (Portugal, Irlanda e Grécia). Já a Grécia dependerá do desenrolar das eleições do dia 17 para definir o seu futuro, onde uma possível saída desordenada da Zona do Euro, apesar de se tratar de um cenário extremo, não pode ser descartada. Com isso, acreditamos que as elevadas incertezas no Velho Continente deverão perdurar em junho, mantendo um tom de cautela nos mercados.

Ásia: pouso da segunda maior economia do mundo não está tão suave assim

A China contribuiu para o movimento de forte aversão ao risco observado no mês de maio, a medida que os dados de atividade refe-rentes ao mês de abril revelaram que a desaceleração da economia chinesa está se mostrando mais intensa e mais prolongada do que o esperado. Nos dados de balança comercial foi possível perceber um desempenho bem mais fraco que o esperado, levantando receios de que o baixo ritmo das exportações já esteja sendo reflexo de uma demanda mais fraca da Europa, seu principal destino, aumentan-do a preocupação de que a crise na Zona do Euro pode afetar de maneira as atividades chinesas. Já no lado das importações, que vie-ram bem abaixo do esperado, sustenta a tese de que a desaceleração econômica promovida pelo governo chinês pode ocorrer de uma maneira mais intensa, o que foi corroborado nas divulgações dos dados de produção industrial e investimentos. A julgar pelas evidên-cias mais recentes reportadas na mídia local, que confirmam um desaquecimento das atividades chinesas e uma maior tolerância por parte do governo em aceitar um ritmo de crescimento econômico mais moderado, entre 7% e 8%, acreditamos que a segunda maior economia do mundo continua em seu processo de “pouso” no segundo trimestre para, então, apresentar recuperação na segunda me-tade de 2012. Tal fato, aliado com os riscos de uma recessão mais severa nos países periféricos da Zona do Euro, pode contribuir para elevar as incertezas quanto à sustentabilidade do crescimento global no curto prazo.

EUA: Dados de atividade sugerem recuperação. Até agora

No lado das atividade industriais e vendas no varejo, os EUA continuam em curso com sua recuperação econômica, que sustenta as expectativas do mercado de um crescimento ligeiramente superior a 2% para o ano de 2012. No lado do mercado de trabalho, a divul-gação do Payroll de abril marcou o segundo mês consecutivo de certa decepção para os mercados, onde o número de postos de traba-lho criados ficou abaixo das expectativas. É importante que as próximas divulgações não confirmem a piora do mercado de trabalho para podermos manter nossa visão de que a recuperação americana segue seu curso e, assim, podermos ter um certo alívio de que a maior economia do mundo está conseguindo manter um crescimento moderado, porém suficiente para sustentar as atuais expectativas de crescimento global.

Brasil: Recuperação da indústria cada vez mais distante

Os dados de produção industrial seguem negativos e iniciaram o 2T12 de maneira bastante fraca, decepcionando aqueles que aposta-vam em uma recuperação mais forte da atividades, ainda neste primeiro semestre do ano. Com isso cresce a expectativa do mercado de que o crescimento do PIB de 2012 será inferior a taxa de 3% ou, até mesmo, inferior ao fraco crescimento de 2,7% observado no ano de 2011. Neste contexto, o Banco Central segue dando continuidade nos cortes de juros, levando a SELIC para a sua mínima histó-rica de 8,5% ao ano. O governo segue com sua missão de promover o crescimento e anunciou um forte pacote para estimular o consu-mo no setor de veículos, que segue sendo o mais prejudicado na desaceleração da indústria. Por fim, o câmbio continuou seu forte mo-vimento de depreciação e o dólar passa a ser cotado ligeiramente acima do patamar de R$2,00. As atividades industriais deverão per-manecer fracas no curto prazo, mas com a coincidência de estímulos gerados por uma política monetária, cambial e fiscal amplamente expansionistas para as atividades industriais, é possível acreditar numa retomada do crescimento econômico a partir do 2S12.

sábado, 2 de junho de 2012


Por que ninguém espera uma festa junina para a bolsa

Nível de incertezas cresce com dados ruins sobre as economias da China e EUA

São Paulo - O mês começa sem a previsão de festa junina nos mercados financeiros. Pular a crescente fogueira da economia global vai ser quase impossível com os dados publicados desfavoráveis já no primeiro dia e que aumentam as incertezas sobre as principais economias do mundo, os Estados Unidos e a China. Em maio, a bolsa brasileira acompanhou a piora da crise internacional e despencou 12%. Foi o pior desempenho mensal desde outubro de 2008. E hoje o índice caminha para o maior ciclo de perda semanal em 8 anos.
"Com o agravamento da crise europeia, indefinições políticas, especialmente na Grécia e Espanha, os mercados tiveram um mês de maio de expressiva queda", ressalta a equipe de análise do HSBC, liderada pelo estrategista Carlos Nunes. O banco alterou a carteira recomendada de ações para junho com o objetivo de adotar uma postura mais defensiva com a preferência a empresas com maior previsibilidade de fluxo de caixa e crescimento estrutural.
Os sinais de hoje
1. Logo nesta manhã os investidores souberam que a economia chinesa enfrentou uma queda na produção industrial em maio. O índice que mede a atividade manufatureira passou de 53,3 pontos em abril para 50,4 pontos. "A baixa relativamente grande do índice em maio se situa dentro de uma tendência de desaceleração econômica", comentou Zhang Liqun, analista da entidade próxima ao governo que coleta os dados. "Não é um viés recessivo, mas a probabilidade de um PIB trimestral anualizado inferior a 8% no segundo trimestre é cada dia mais elevada", ressalta o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho.
2. Nos Estados Unidos, o aguardado Relatório de Emprego trouxe detalhes desanimadores sobre a recuperação econômica. O país criou 69 mil vagas em maio, muito abaixo da expectativa de 150 mil postos de trabalho. Segundo os economistas da consultoria brasileira LCA, os dados podem inaugurar um período em que o desempenho da economia americana deixará de representar um contraponto positivo à evolução preocupante da economia europeia e aos resultados decepcionantes da economia chinesa, "fator que poderá contribuir para aprofundar o clima de incertezas no ambiente global".
3. No Brasil, além de os resultados do primeiro trimestre das empresas decepcionarem, o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) não trouxe alívio. Segundo o IBGE, a economia brasileira cresceu 0,2% no período. "Agora fica impossível imaginar um crescimento superior a 3% para esse ano. A forma como nosso PIB vem se desacelerando, desde o ano passado, indica que foi a desaceleração dos Investimentos que comandou o atual estágio de estagnação econômica, encerrando o período de recuperação iniciado no segundo trimestre de 2009 e que se sustentou fortemente até o segundo de 2011", estima Pedro Paulo Silveira, economista da TOV Corretora.
O que esperar para junho
O tropeço das bolsas mundiais logo no primeiro pregão do mês pode ser um sinal do que vem pela frente. Os principais mercados da Europa caíram forte hoje e o destaque foi a Alemanha. O índice DAX, normalmente mais resistente que os demais, registrou uma baixa de 3,4%, a maior entre os da região. Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 opera abaixo de 2% a 1.277 pontos. Segundo o analista técnico do HSBC, Mauricio Camargo, o índice pode abandonar a tendência de alta que havia sido iniciada em outubro do ano passado quando a média móvel de 50 dias cruzou acima da média móvel de 200 dias.
"É provável que junho seja um mês chave para os mercados, com o acompanhamento de perto das eleições na Grécia e a expectativa de piora em relação aos riscos da Espanha. As eleições gregas neste mês dificilmente levarão a uma saída imediata do euro, mas podem alimentar as dificuldades de seus bancos, o que poderia contaminar potencialmente a Espanha. Acreditamos que tais eventos possam finalmente levar as autoridades europeias a adotarem medidas para tentar controlar essa situação", sintetiza a Ágora, corretora do Bradesco, em um relatório assinado pela equipe de análise liderada por Dalton Gardimam.

segunda-feira, 28 de maio de 2012


Sentimento de mercado já está no nível de "pânico"

Analistas afirmam que investidores precisam se preparar para o pior

São Paulo - Com a crise do euro ainda longe de uma solução e um elevado nível de incertezas, os analistas do mercado começam a alerta que o mais prudente agora é se preparar para o pior.
Apesar de um dia mais tranquilo nesta segunda-feira no Brasil, as ações de bancos na Espanha caíram forte com as dúvidas acerca da recapitalização do Bankia pelo governo do país. A bolsa de Madri recuou 2,2%, muito acima dos outros mercados na região. O prêmio de risco dos títulos do governo espanhol atingiu o maior nível histórico hoje.
"Os indicadores do sentimento do mercado já estão no território de ?pânico?", afirma o Citi em um relatório assinado pela equipe de análise global. Segundo o banco, apesar de a saída da Grécia da zona do euro parecer manejável, os investidores estão cada vez mais preocupados com a disseminação do contágio na zona do euro.
Grécia
O clima em torno da Grécia melhorou um pouco com o crescimento do partido favorável ao pacote de resgate internacional nas pesquisas de intenções de voto para as próximas eleições parlamentares.
O avanço do conservador Nova Democracia pode ser uma indicação de que um governo de coalização possa ser formado após o pleito marcado para 17 de junho. A nova disputa foi convocada após os partidos não terem conseguido entrar em um acordo depois das eleições realizadas em 6 de maio. O índice ASE, da bolsa de Atenas, disparou 6,8% com o anúncio das pesquisas no domingo.
"Para os investidores, o balanço de riscos sugere a preparação para o pior, mesmo que, como cidadãos, esperemos o melhor", avalia Andrew Balls diretor geral da Pimco em Londres.
Solução
Com a perspectiva de que as incertezas comecem a reduzir após as próximas eleições na Grécia, o Citi alerta para um potencial de valorização no curto prazo. "Com os alvos dos analistas de mercado agora sugerindo uma tendência de alta de 20% no final do ano, recomendamos a compra na baixa", dizem.
"Esperamos que a saída da Grécia seja seguida de medidas econômicas de longo alcance como resposta: projetamos que o BCE corte os juros para 0,5% e volte a emitir títulos sob o programa LTRO, que haja novos pacotes de resgate para Portugal e para a Irlanda, e algo do programa de resgate da Troika para a Espanha, mais o suporte do mercado financeiro para os títulos de dívida soberana da Espanha e da Itália", explica o Citi em outra análise.

domingo, 20 de maio de 2012


O que acontece se a Grécia abandonar o euro?

Possíveis consequências dividem opiniões e, no pior cenário, vão desde recessão generalizada até a dissolução do euro

São Paulo - A possível saída da Grécia da zona do euro é cercada de incertezas, mas perece ser cada vez mais iminente. Sem consenso para a formação de um novo governo após as eleições parlamentares, o clima é de apreensão. O Citi já elevou o risco de abandono da moeda pelos gregos para até 75%.
Veja, a seguir, algumas consequências possíveis, caso o país diga adeus à eurozona:
Calote (ou não)
A grande dúvida que cerca a saída da Grécia da zona do euro é: como ficam os credores externos do país?  "Em caso de um calote, os bancos ficariam em situação delicadíssima. Seria um desastre financeiro nunca antes visto", opina Manuel Enríquez Garcia, professor de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP). 
O professor acredita, no entanto, que o Banco Central Europeu e os governos da França e da Alemanha não deixariam isso acontecer, já que o "efeito dominó" poderia fazer com que a crise se alastrasse e tomasse proporções desastrosas.
Isso significaria que ambos os países, que já carregam nas costas os custos mais pesados da manutenção do bloco, teriam que tirar mais uma vez a mão do bolso para salvar seus bancos e evitar um colapso geral do sistema financeiro.
Efeitos colaterais
Mesmo que os governos dos países mais "saudáveis" do bloco venham ao socorro dos credores da Grécia, os investidores se afastarão dos países mais "arriscados", como Espanha, Portugal, Itália e Irlanda, buscando portos mais seguros para o seu dinheiro. O custo de empréstimo para estes países ficará ainda mais alto, o que causará ainda mais problemas para cada um deles, individualmente, e para o bloco.
"A incerteza já está levando muitos a tirar o dinheiro e ir embora", diz Garcia. "O grande problema é que vai ficar a expectativa de quem vai ser o próximo", opina Carlos Honorato Teixeira, professor do Programa de Estudos do Futuro da Fundação Instituto de Administração (FIA).
Desvalorização da moeda
Para a economia grega, os efeitos imediatos serão drásticos, embora especialistas concordem que, no longo prazo, a medida permitiria a recuperação do país. 
O primeiro efeito será a volta do dracma ou a adoção de uma nova moeda que, de cara, deverá valer entre 50% a 80% a menos que o euro, na avaliação de analistas.
Corralito
A consequência imediata será uma corrida aos bancos para a retirada em euros antes que a nova moeda comece a vigorar. Para evitar o colapso do sistema bancário, o governo poderá recorrer ao "corralito", medida estabelecida pela Argentina quando deu o calote. Para evitar as retiradas em massa, o governo congelou os fundos dos poupadores e estabeleceu limites semanais para a retirada de fundos. 
Quebradeira
Mesmo que o governo intervenha, é possível que alguns bancos não tenham fôlego para sobreviver. Empresas com dívidas em euro provavelmente não conseguirão pagar seus credores - já que o débito aumentará consideravelmente de tamanho em relação ao valor da nova moeda - e quebrarão também.
Inflação galopante
A inflação galopante é outro efeito esperado dentro da economia grega. "O governo terá que agir rápido para colocar moeda no mercado, mas vai jogar dinheiro sem lastro", explica Teixeira. 
Com excesso de dinheiro em circulação e escassez de oferta, os preços começam a subir. Com a desvalorização da moeda, os preços de produtos importados também devem disparar, o que é um problema grave já que a Grécia importa 40% dos alimentos que consome, quase todo o seu petróleo e gás natural, e grande parte dos seus medicamentos.
Ativos desvalorizados
Outra consequência será a desvalorização dos ativos gregos, já que haverá uma corrida de liquidação dos investimentos no país. "Vai ser possível comprar ilha grega a preço de banana", brinca Teixeira.
Agravamento da pobreza
Sem dinheiro nos cofres do governo para pagar os salários de servidores e aposentados, entre outros benefícios sociais, a população que já enfrenta taxa de desemprego de mais de 21% e agravamento da pobreza deve ficar em situação ainda mais crítica. 
A volta por cima da Grécia
Se, por um lado, a saída do euro significaria o colapso econômico e social da Grécia, em um primeiro momento, por outro pavimentaria o caminho para a volta por cima do país. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB encolheria pelo menos 10% no primeiro ano. O UBS é ainda mais agressivo em sua previsão: a economia grega poderia encolher entre 40% e 50% logo após a saída do euro. Mas depois da tempestade, viria a calmaria. Com liberdade monetária e sem o peso das medidas de austeridade impostas pelo bloco, o país ganharia folego para se reestruturar e voltar a crescer no futuro.
O fim do euro?
Não há consenso entre os analistas quanto ao futuro do euro sem os gregos. Enquanto alguns apostam que a saída da Grécia tornaria a moeda mais saudável, outros acreditam que ela não se sustentaria. Para Paul Krugman, economista e colunista do New York Times, o euro poderia se dissolver em questão de meses. 
Já para o economista Nouriel Roubini - conhecido por ter previsto a crise financeira de quatro anos atrás - a Grécia não levará consigo países como Portugal, Espanha e Itália. "Economias sem liquidez, mas potencialmente solventes, como Itália e Espanha, necessitarão do apoio da Europa independentemente da existência da Grécia", afirma. As perdas para o continente recairão, segundo Roubini, principalmente sobre instituições financeiras centrais da zona do euro, que teriam fôlego para superá-las.
A rebarba para o Brasil
No pior dos cenários, se a Grécia der o calote e a crise se alastrar ainda mais, os "respingos" podem recair sobre o Brasil. "A bolsa brasileira vem caindo de uma forma muito forte, como todas as outras no mundo, porque não se sabe os efeitos do que pode ocorrer na Grécia sobre o animo das pessoas", destaca Garcia. "Cria-se um clima de extremo pessimismo e, quem tem dinheiro, fica com medo de não ter no momento seguinte. Acaba espalhando o clima de pessimismo e gera uma retração", explica. 

quarta-feira, 16 de maio de 2012


Bolsa está barata, mas risco não vale a pena

Analistas do Santander reduziram a recomendação de exposição à renda variável

São Paulo - O Ibovespa voltou ao campo negativo com a queda de terça-feira e já acumula uma desvalorização de 9% apenas em maio. O desempenho chama a atenção de quem busca por barganhas em momentos como esse, mas nunca é tarde para lembrar que a situação pode sempre piorar. É nisso que acredita a equipe de estratégia de mercado do Santander.
Para os analistas, sob o ponto de vista de valor a bolsa até parece relativamente barata em termos históricos e dado os níveis do juro real. Contudo, eles ressaltam que o "prêmio de risco cobrado pelo mercado não deverá se diluir e permitir a expansão dos múltiplos no curto prazo", explicam em um relatório publicado nesta semana.
O banco reduziu a recomendação de exposição em renda variável de alocação acima da média (overweight) para neutra. "O Ibovespa opera em uma região importante de suporte, representada pela média móvel de 200 dias, demonstrando uma vulnerabilidade técnica que se acentua em meio a tantas incertezas", explicam.
Contexto
A equipe composta por Jayme Paulo Carvalho Junior, Rafael Nascimento Bisinha, Arthur Yukio Sinzato, Patrícia Dalarme Vicentin e Rodrigo Borges de Almeida, ressalta que o aumento das incertezas no cenário global, principalmente com a perda de apoio ao discurso da austeridade fiscal na Europa, contribuiu para a mudança nas estimativas.
"O evento de maior destaque foi o resultado das eleições gregas e o impasse nas discussões para a formação de um novo governo de coalizão. Isso reacendeu o debate sobre a saída do país da Zona do Euro e suas implicações em termos de contágio sobre as economias mais vulneráveis", dizem.
Com isso, novas eleições serão realizadas em junho. A indefinição sobre os rumos elevou a chance de uma possível saída da zona do euro. Em reunião realizada ontem, a chanceler alemã Angela Merkel disse que deseja a permanência da Grécia no grupo da moeda única.
China e Brasil
A percepção de uma desaceleração na China também se soma aos riscos. O Banco Central da China cortou a taxa de depósito dos bancos do país em 0,5 ponto percentual no último final de semana. Agora, os bancos passam a ter que recolher 20% dos depósitos junto ao Banco Popular da China. O corte, contudo, foi visto como "tímido" pelo Santander.
"No âmbito local, algumas medidas adotadas pelas autoridades têm influenciado negativamente a percepção sobre o mix de política econômica brasileira. Além disso, ainda vemos desaceleração na margem e não devem haver eventos no curto prazo capazes de gerar revisões para cima nas projeções dos lucros das empresas", ressaltam.

Eike Batista inicia listagem da CCX na Bovespa dia 25

A companhia nasce com significativas reservas de carvão já certificadas e um caixa de 450 milhões de dólares

São Paulo - O grupo de Eike Batista vai iniciar a listagem da companhia CCX, resultado de uma cisão da MPX, no dia 25 de maio na Bovespa, informou nesta terça-feira o diretor-presidente da CCX, Leonardo Moretzsohn. A companhia nasce com significativas reservas de carvão já certificadas e um caixa de 450 milhões de dólares, num processo que tem como objetivo separar os ativos minerais da Colômbia da joint venture entre a MPX, companhia de energia do grupo, com a gigante alemã E.ON.
Cada acionista da MPX receberá uma ação da CCX. "A empresa já terá recursos suficientes para que seja conduzido o avanço do estudo de viabilidade (econômica), o aprofundamento dos estudos de engenharia, todo o processo ambiental até a próxima etapa, que será o começo da construção do complexo que será iniciado do segundo semestre de 2013", disse o executivo em teleconferência com jornalistas para detalhar a certificação das reservas de carvão na Colômbia detidas pelo grupo.
A MPX anunciou na segunda-feira a certificação de 5,2 bilhões de toneladas de carvão mineral de alta qualidade na mina subterrânea de San Juan, localizada na região de La Guarija, na Colômbia. O volume de reservas atinge, aproximadamente, 672 milhões de toneladas, "garantindo uma produção média superior a 25 milhões de toneladas anuais por 20 anos, podendo exceder 28 milhões de toneladas no auge da produção", segundo comunicado da empresa. O potencial de produção anual da futura CCX equivale a cerca de um quarto da produção colombiana atual de carvão.
O país é o quarto maior produtor do mundo. A certificação da mina de San Juan coloca a empresa como um grande player do mercado mundial de mineração de carvão. "O volume de recursos de San Juan encontra-se entre os cinco maiores de carvão mineral do mundo", afirmou. Parte da produção vai suprir as usinas térmicas da MPX, que devem consumir cerca de 10 milhões de toneladas de carvão. A maior parte deve ser exportada para outros mercados. O projeto de mineração na Colômbia, que inclui o sistema dedicado de logística, está em processo de licenciamento ambiental para iniciar a construção de seu projeto de mineração integrado - mina, ferrovia e porto - em 2013.
O início de produção da mina subterrânea de San Juan está previsto para o começo de 2017. Os recursos podem ser ainda maiores, já que o potencial identificado até agora ocorreu em área de 10 mil hectares de um total de 67 mil hectares que pertencem à companhia de Eike Batista. "Do total certificado como reservas, mais de 92 por cento do minério é constituído de recurso de altíssima qualidade, o que deve render "no mercado diferencial de preço, no mínimo de 30 por cento", segundo ele.
Além da mina subterrânea, a CCX desenvolverá duas minas de céu aberto, Cañaverales e Papayal, que deverão produzir, em conjunto, até 5 milhões de toneladas por ano. Os negócios de Eike na Colômbia vão além de carvão. O empresário detém depósitos de ouro, ativos da subsidiária AUX - que está em campanha exploratória - e blocos de petróleo que devem ser perfurados em breve pela OGX, segundo Moretzsohn.