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terça-feira, 19 de junho de 2012


DISTORÇÃO SALARIAL ENTRE FFAA E CONGRESSO NACIONAL

VEJA - 18/06/2012 - 07:13


Serviço público . Forças Armadas do Brasil: treinados, armados e mal pagos

Os mais de 339 000 homens da Marinha, do Exército e da Aeronáutica viram seus salários serem achatados ao longo dos anos, o que criou distorções absurdas. Um comandante de porta-aviões, por exemplo, ganha menos que um gráfico do Senado Federal

Carolina Freitas e Gabriel Castro

Soldados do Exército Brasileiro: muita responsabilidade, pouca remuneração (Orlando Brito)
Neste domingo, familiares de militares marcharam pela orla da Praia de Copacabana no Rio de Janeiro em um protesto por aumento salarial. A manifestação, batizada de “panelaço”, aproveitou a presença de autoridades do governo e representantes internacionais no Forte de Copacabana para a Conferência Rio+20 para dar visibilidade à causa. Dados levantados pelo site de VEJA mostram a discrepância salarial entre os militares – que somam um efetivo de 339 364 homens - e os demais servidores públicos federais. Um operador de máquina do Senado Federal, responsável por colocar em funcionamento as máquinas do serviço gráfico da Casa, por exemplo, recebe salário de 14 421,75 reais. A vaga, preenchida por concurso, exige apenas Ensino Fundamental completo. Enquanto isso, um capitão-de-mar-e-guerra, o quarto posto mais alto dentro da hierarquia da Marinha e responsável, por exemplo, por comandar um porta-aviões, recebe remuneração de 13 109,45 reais. Veja outras comparações salariais e quanto ganha quem comanda as tropas ao final desta reportagem.

Os militares da ativa são proibidos de se manifestar. Por isso, escalaram suas mulheres para ir às ruas. Ivone Luzardo preside a União Nacional das Esposas de Militares (Unemfa) e é uma das articuladoras do protesto deste domingo. Ela causou alvoroço em março ao subir a rampa do Palácio do Planalto, em Brasília, de uso restrito da presidente. Tudo para chamar a atenção para as reivindicações salariais da categoria. Em maio, conseguiu entregar nas mãos da presidente um ofício com um pedido de audiência. Não obteve resposta. “O governo precisa separar a história da realidade”, afirma Ivone. “Os militares assumiram o poder nos anos 1960 porque ninguém queria um país comunista. Os que hoje estão no governo eram contra os militares na época. Criou-se um revanchismo.”

Outro líder do movimento é o militar reformado Marcelo Machado. Ele presidente a Associação Nacional dos Militares do Brasil, fundada há um ano e com sede no Rio de Janeiro e em Brasília. “A insatisfação é geral. Enquanto os comandantes das Forças Armadas têm salário de ministro, nós ficamos a pão e água”, diz Machado. “Os colegas não podem se manifestar, mas, por ser reformado, tenho sorte de ninguém poder me punir.” O movimento vem ganhando força a ponto de as duas associações terem marcado para 30 de agosto o 1º Congresso Nacional da Família Militar.

Sob a condição de anonimato, pelo temor de represálias, militares da ativa e da reserva aceitaram conversar com a reportagem do site de VEJA. Eles narram uma rotina de dificuldades financeiras, endividamento e condições precárias para as famílias de militares que são transferidos de cidade. “Há militares com 25 anos de serviço em capitais que residem em quarteis, em alojamentos paupérrimos, com a família a 200 quilômetros de distância, onde podem pagar pelo aluguel”, relata um subtenente com 27 anos de Exército.

Um capitão do Exército da reserva aceitou mostrar seu contracheque (veja detalhes na ilustração ao lado). Ele tem 60% de seu soldo, de 5 340 reais, comprometido com empréstimos e financiamento imobiliário. Ao soldo somam-se gratificações pelo tempo de serviço e por especialização na profissão que dobram o valor da remuneração. Mesmo assim, ele chega ao final do mês com salário líquido de pouco mais de 3 000 reais depois de 37 anos de dedicação às Forças Armadas. “A vida militar é um sacerdócio, não um emprego. Tenho sangue verde-oliva”, diz o orgulhoso senhor de 57 anos. “Porém, acho injusto um capitão contar o dinheiro para poder trocar de carro enquanto um funcionário de nível médio do Senado anda de automóvel importado.”

Entre as reivindicações das associações de familiares está o pagamento imediato de um porcentual de 28,86%, concedido por lei aos servidores públicos em 1993, durante o governo Itamar Franco, mas nunca entregue aos militares. Em 2003, o Supremo Tribunal Federal editou uma súmula garantindo o pagamento às tropas. Em 2009, a Advocacia-Geral da União reconheceu a decisão. De acordo com o Ministério da Defesa, no entanto, o estudo para pagamento do reajuste está sob análise do Ministério do Planejamento. “A implementação de novos valores dependerá de análise do governo federal, observada a conjuntura econômico-financeira do país”, informou a Defesa. O ministério informou ainda que tem dialogado com o Planejamento “visando a melhoria da remuneração dos militares das Forças Armadas”. Não há, no entanto, previsão de quando pode haver uma resolução sobre o assunto.

Em 2011, a folha de pagamento das três Forças somou 46,56 bilhões de reais, sendo 17,54 bilhões de reais destinado ao pessoal ativo e 29,02 bilhões de reais para inativos e pensionistas.

Fuga da carreira militar - A pouca atratividade financeira da carreira tem feito minguar os quadros das Forças Armadas. Levantamento feito com base em dados do Diário Oficial da União mostra que, de janeiro de 2006 até maio de 2012, 1 215 militares deixaram a carreira. O Exército foi a força que mais perdeu pessoal, 551 homens, seguido pela Marinha, 405, e Aeronáutica, 229. Os detalhes estão no gráfico abaixo. O estudo foi organizado pela assessoria do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), porta-voz das tropas no Congresso. “Tem muitos oficiais saindo para ganhar mais em outras áreas. E o gasto que o governo tem para formar um militar é altíssimo”, afirma Bolsonaro. “O governo usa o pretexto da indisciplina para nos subjugar.” Continue a ler a reportagem aqui.

As associações de familiares procuraram um por um os parlamentares para pedir a eles apoio para pressionar o governo Dilma Rousseff a conceder aumento. Os apelos tiveram pouca reverberação no Congresso. Além de Bolsonaro, apenas o senador Roberto Requião (PMDB-PR) deu sinais de apoio à causa. Em audiência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Casa com o ministro da Defesa, Celso Amorim, Requião falou sobre a necessidade de valorizar a carreira militar e sugeriu o agendamento de um encontro na comissão, com a presença do ministro, para tratar do assunto. Até agora, nada está marcado, no entanto.

Promessas - Apesar de todos os entraves agora colocados pelo governo, um plano de reajustes para a categoria estava previsto na Estratégia de Defesa Nacional, lançada em 2008, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e, ainda, em uma carta da então candidata à Presidência Dilma Rousseff, de 2010. Diz o documento assinado por Dilma e entregue à época aos representantes das Forças Armadas: “Os índices de reajuste salarial conquistados nos últimos dois mandatos presidenciais são uma garantia de que continuaremos efetuando as merecidas reposições.” As tropas, unidas, continuam à espera.


Responsabilidades demais, remuneração de menos

A defasagem dos rendimentos dos militares fica mais evidente quando os salários são comparados aos de funcionários do Congresso Nacional, que estão entre os mais bem pagos do serviço público. Veja quatro exemplos dessa distorção

EXEMPLO "A"

Faixa salarial: até 5 000 reais

NAS FORÇAS ARMADAS

Cargo: Primeiro-sargento
Salário: 4 844 reais
Atribuições: Na Aeronáutica, uma das funções é coordenar o controle do tráfego aéreo em aeroportos

NO CONGRESSO NACIONAL

Não existem servidores efetivos nessa faixa salarial. Faxineiros e ascensoristas, terceirizados, são os únicos a receber valores abaixo de 5 000 reai.

 EXEMPLO "B"

Faixa salarial: até 10 000 reais 

NAS FORÇAS ARMADAS

Cargo: Capitão
Salário: 8 154 reais
Atribuições: No caso da Aeronáutica, pilotar caças como o Mirage 2000, que custa 20 milhões de reais

NO CONGRESSO NACIONAL

Cargo: Nessa faixa salarial, também não existem servidores concursados no Congresso. Esse valor equivale aos rendimentos de um assessor comissionado de sexta categoria, nomeado no gabinete de um deputado federal. Para ocupar o posto, basta ser escolhido pelo parlamentar
Salário: 8 673 reais
Atribuições: Executar tarefas simples de apoio ao deputado


EXEMPLO "C"

Faixa salarial: até 15 000 reais

NAS FORÇAS ARMADAS

Cargo: Capitão-de-mar-e-guerra (Marinha)
Salário: 13 109 reais
Atribuições: No caso da Marinha, é este o posto dos responsáveis por comandar um porta-aviões

NO CONGRESSO NACIONAL

Cargo: Operador de máquina
Salário: Até 14 421 reais
Atribuições: Colocar em funcionamento as máquinas do serviço gráfico do Senado. Exige apenas o Ensino Fundamental

EXEMPLO "D"

Faixa salarial: mais de 15 000 reais


NAS FORÇAS ARMADAS

Cargo: General-de-brigada (Exército)
Salário: 16 646 reais
Atribuições: Comandar um grupo de até 5 000 homens em combate

NO CONGRESSO NACIONAL

Cargo: Técnico Legislativo
Atribuições: Digitar documentos, auxiliar na realização de tarefas rotineiras. Exige apenas Nível Médio
Salário: Até 16 563 reais

Faixa salarial: mais de 15 000 reais

NAS FORÇAS ARMADAS
Cargo: General-de-brigada (Exército)
Salário: 16 646 reais
Atribuições: Comandar um grupo de até 5 000 homens em combate
NO CONGRESSO NACIONAL
Cargo: Técnico Legislativo
Atribuições: Digitar documentos, auxiliar na realização de tarefas rotineiras. Exige apenas Nível Médio
Salário: Até 16 563 reais
 Nota: matéria indicada por Daniel Adriano, via face

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Ótima reportagem. Esta matéria mostra mais uma grave distorção salarial existente o serviçco público, onde servidores de qualificação primária, ganham salários muito acima daqueles que precisam de uma qualificação mais abrangente, arriscam a vida, enfrentam conflitos e pressões,  e estão subordinados a uma rotina espartana, manuseando armas, equipamentos e tecnologia de ponta. É preciso mudar totalmente esta política, voltando a referência salarial ao Poder Executivo já que este poder é o que possui o maior número de servidores públicos.
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SUPERSALÁRIOS RESISTEM



EDITORIAL ZERO HORA 18/06/2012


Ao definir como teto salarial do serviço público o valor bruto dos vencimentos percebidos por ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) com assento no Tribunal Superior Eleitoral, a Constituição Federal visa corrigir uma distorção histórica. Desde seus primórdios, o Estado brasileiro serviu como fonte inesgotável de benesses para uma parcela daqueles que empregava com o propósito de servir ao povo. A existência de supersalários no setor público sempre foi um segredo de Polichinelo: sinais exteriores de riqueza e ganância denunciavam seus beneficiários mais ostensivos. Enquanto a própria Carta Magna ora em vigor estava sendo elaborada, o caso dos “marajás” de Alagoas – habilmente explorado pelo então governador, Fernando Collor, que acabou utilizando esse mote na campanha vitoriosa à Presidência – revoltou a opinião pública. Assim, ao fixar um limite máximo para os vencimentos percebidos dos cofres públicos, hoje de R$ 26.723, os constituintes nada mais fizeram do que atender ao clamor dos cidadãos.

Na contramão do interesse público, porém, sobram indícios de que o teto salarial já se inscreve no vergonhoso rol das normas legais brasileiras que “não pegam”, como se tal acinte fosse admissível. Um levantamento publicado pelo site Congresso em Foco, a partir de informações obtidas por auditores do Tribunal de Contas da União e veículos de imprensa, estima em 3.990 o número de servidores dos três poderes que recebem salários superiores ao limite constitucional. A justificar esses ganhos, estão subterfúgios que permitem o expurgo de parte dos valores do cálculo, como se de rendimentos indevidos não se tratasse. Na lista, chama atenção a significativa presença de servidores do Executivo (27% do total), ao lado de parlamentares e funcionários do Legislativo (40%) e magistrados e servidores do Judiciário (33%). Fazem parte do levantamento os contracheques de ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça e do presidente do Senado. Deve-se ter em mente que esses números estão longe de serem definitivos, uma vez que a transparência ainda não é um princípio dos três poderes quando se trata das próprias folhas de pagamento.

O procurador do Ministério Público de Contas da União Marinus Marsico é autor de uma representação que deu origem a processo para apurar a existência de salários acima do teto constitucional em 604 órgãos do Poder Executivo. Os supersalários afrontam a Constituição, o interesse público e o bom senso. Como se explica, então, que essa prática se mantenha? “Já temos leis de montão neste país para resolver isso. A Constituição é absolutamente clara quanto a isso e é autoaplicável. O que resta agora são apenas desculpas para não se implementar o teto constitucional”, afirma Marsico. Além disso, o atual estágio da informatização do serviço público, que permite a criação de bancos de dados compartilhados sobre licenciamento de veículos, titulação científica e outras matérias, é mais do que suficiente para permitir uma ação pronta e decidida do Estado a esse respeito. Falta, como é de costume, vontade política aos chefes dos poderes para dar esse passo decisivo.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Que eu saiba, o texto original da Constituição Federal no seu artigo 37, inciso XII, dispõe claramente que o TETO SALARIAL é estabelecido pelos salários pagos aos cargos do PODER EXECUTIVO e não em relação aos salários pagos aos cargos Judiciário. Ocorre que a emenda constitucional 41 de 19/09/2003 passou a regular o teto nos salários pagos aos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Acontece que se manteve o inciso XII do artigo 37, provocando uma distorção com a Emenda 41 que alterou o poder regulador do teto. Por favor, gostaria que os doutores constitucionais explicassem esta contradição, onde uma emenda muda substancialmente a finalidade de um dispositivo constitucional aprovado em Assembléia Constituinte. 


Se os próprios gestores dos Poderes não respeitam e nem acatam uma constituição, como vão impedir os servidores públicos privilegiados em cargos do Poder agregar impunemente valores aos seus salários acima do permitido?



PARA LEMBRAR:

ART. 37, INCISO XII - "Os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo." (texto original da Constituição Federal de 1988, aprovado em Assembléia Constituinte).
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 41, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2003

Modifica os arts. 37, 40, 42, 48, 96, 149 e 201 da Constituição Federal, revoga o inciso IX do § 3 do art. 142 da Constituição Federal e dispositivos da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e dá outras providências. 

Art. 1º A Constituição Federal passa a vigorar com as seguintes alterações:
"Art. 37. .........................................
.........................................
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o sub-sídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;

quarta-feira, 13 de junho de 2012


Se tudo der errado na Europa, para onde vai a bolsa?

Do sossego ao caos, Citi elaborou três cenários possíveis e apontou os melhores ativos brasileiros para cada um deles

São Paulo - Grécia sai ou não sai? Bancos espanhóis quebram ou não? O que vai acontecer com a Europa e com a zona do euro, ninguém sabe ao certo.A equipe de análises da Citi Corretora, naturalmente, não tem a resposta para o problema, mas traçou três cenários possíveis para o andamento da crise na Europa e escolheu os papéis para atravessar cada uma dessas situações.
Cenário 1 - Recuperação no segundo semestre
Perfil das empresas: crescimento a um preço razoávelNesse cenário, os analistas do Citi projetam um retorno de 20% a 25% em dólar até o final do ano, impulsionado por uma redução das incertezas na Europa.
Nesse caso, conforme estimou a equipe de análises econômicas do Citi, haveria uma probabilidade de 65% de uma recessão prolongada, mas modesta, na zona do euro, com contração de 1% neste ano, e um crescimento de 2% nos Estados Unidos.
As escolhidas - Cosan Limited, Iochpe-Maxion, Embraer e Duratex.
Cenário 2 - Recessão mais profunda na Europa
Perfil das empresas: voltadas ao mercado doméstico, com fluxo de caixa positivo.
Nesse caso, existiria uma probabilidade de 15% de uma recessão mais profunda na Europa, com contração de 2,5%, e de um crescimento ainda "decente", como dizem os analistas da Citi, nos Estados Unidos, de 1,75%.
Com um quadro desses, a preocupação com um "pouso forçado'' na China aumentaria, o que faz aumentar a aposta em empresas com maior exposição ao mercado doméstico.
As escolhidas - Itaú Unibanco, Banco do Brasil, MRV e Rossi Residencial.
Cenário 3 - Instabilidade severa
Um cenário assim tem uma chance de 20% de acontecer, segundo os economistas do Citi. Isso poderia ocorrer com a queda de uma grande instituição, uma correria nos mercados de títulos dos governos ou uma saída desordenada da Grécia da zona do euro.
Num momento como esse, poderia ocorrer uma contração de 5% na economia da zona do euro, parecido com o que aconteceu com os Estados Unidos após a quebra do Lehman Brothers, e uma contração de 2% nos Estados Unidos.
Perfil das empresas: defensivas, com beta (correlação com a bolsa) baixo e dividendos elevados.
As escolhidas - Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, AES Tietê, Telefônica Brasil, Eletrobras e Cemig.

domingo, 3 de junho de 2012

Panorama Mensal do Mercado




Europa: Espanha e Grécia em foco

Maio foi um mês marcado pelo aumento das tensões quanto ao futuro da sustentabilidade do Bloco, onde a complicada situação do sistema bancário espanhol e o delicado quadro político grego fizeram o mercado precificar uma maior probabilidade de um cenário de ruptura da Zona do Euro. Neste contexto, o yield do título de 10 anos espanhol iniciará o mês de junho próximo ao nível fatídico de 7%, no qual vimos Portugal, Irlanda e Grécia tendo de recorrer a ajuda dos fundos de estabilização e FMI para rolarem e administra-rem suas dívidas. Vale ressaltar que a Espanha é a quarta maior economia do Bloco e representa praticamente o dobro destes três países juntos (Portugal, Irlanda e Grécia). Já a Grécia dependerá do desenrolar das eleições do dia 17 para definir o seu futuro, onde uma possível saída desordenada da Zona do Euro, apesar de se tratar de um cenário extremo, não pode ser descartada. Com isso, acreditamos que as elevadas incertezas no Velho Continente deverão perdurar em junho, mantendo um tom de cautela nos mercados.

Ásia: pouso da segunda maior economia do mundo não está tão suave assim

A China contribuiu para o movimento de forte aversão ao risco observado no mês de maio, a medida que os dados de atividade refe-rentes ao mês de abril revelaram que a desaceleração da economia chinesa está se mostrando mais intensa e mais prolongada do que o esperado. Nos dados de balança comercial foi possível perceber um desempenho bem mais fraco que o esperado, levantando receios de que o baixo ritmo das exportações já esteja sendo reflexo de uma demanda mais fraca da Europa, seu principal destino, aumentan-do a preocupação de que a crise na Zona do Euro pode afetar de maneira as atividades chinesas. Já no lado das importações, que vie-ram bem abaixo do esperado, sustenta a tese de que a desaceleração econômica promovida pelo governo chinês pode ocorrer de uma maneira mais intensa, o que foi corroborado nas divulgações dos dados de produção industrial e investimentos. A julgar pelas evidên-cias mais recentes reportadas na mídia local, que confirmam um desaquecimento das atividades chinesas e uma maior tolerância por parte do governo em aceitar um ritmo de crescimento econômico mais moderado, entre 7% e 8%, acreditamos que a segunda maior economia do mundo continua em seu processo de “pouso” no segundo trimestre para, então, apresentar recuperação na segunda me-tade de 2012. Tal fato, aliado com os riscos de uma recessão mais severa nos países periféricos da Zona do Euro, pode contribuir para elevar as incertezas quanto à sustentabilidade do crescimento global no curto prazo.

EUA: Dados de atividade sugerem recuperação. Até agora

No lado das atividade industriais e vendas no varejo, os EUA continuam em curso com sua recuperação econômica, que sustenta as expectativas do mercado de um crescimento ligeiramente superior a 2% para o ano de 2012. No lado do mercado de trabalho, a divul-gação do Payroll de abril marcou o segundo mês consecutivo de certa decepção para os mercados, onde o número de postos de traba-lho criados ficou abaixo das expectativas. É importante que as próximas divulgações não confirmem a piora do mercado de trabalho para podermos manter nossa visão de que a recuperação americana segue seu curso e, assim, podermos ter um certo alívio de que a maior economia do mundo está conseguindo manter um crescimento moderado, porém suficiente para sustentar as atuais expectativas de crescimento global.

Brasil: Recuperação da indústria cada vez mais distante

Os dados de produção industrial seguem negativos e iniciaram o 2T12 de maneira bastante fraca, decepcionando aqueles que aposta-vam em uma recuperação mais forte da atividades, ainda neste primeiro semestre do ano. Com isso cresce a expectativa do mercado de que o crescimento do PIB de 2012 será inferior a taxa de 3% ou, até mesmo, inferior ao fraco crescimento de 2,7% observado no ano de 2011. Neste contexto, o Banco Central segue dando continuidade nos cortes de juros, levando a SELIC para a sua mínima histó-rica de 8,5% ao ano. O governo segue com sua missão de promover o crescimento e anunciou um forte pacote para estimular o consu-mo no setor de veículos, que segue sendo o mais prejudicado na desaceleração da indústria. Por fim, o câmbio continuou seu forte mo-vimento de depreciação e o dólar passa a ser cotado ligeiramente acima do patamar de R$2,00. As atividades industriais deverão per-manecer fracas no curto prazo, mas com a coincidência de estímulos gerados por uma política monetária, cambial e fiscal amplamente expansionistas para as atividades industriais, é possível acreditar numa retomada do crescimento econômico a partir do 2S12.

sábado, 2 de junho de 2012


Por que ninguém espera uma festa junina para a bolsa

Nível de incertezas cresce com dados ruins sobre as economias da China e EUA

São Paulo - O mês começa sem a previsão de festa junina nos mercados financeiros. Pular a crescente fogueira da economia global vai ser quase impossível com os dados publicados desfavoráveis já no primeiro dia e que aumentam as incertezas sobre as principais economias do mundo, os Estados Unidos e a China. Em maio, a bolsa brasileira acompanhou a piora da crise internacional e despencou 12%. Foi o pior desempenho mensal desde outubro de 2008. E hoje o índice caminha para o maior ciclo de perda semanal em 8 anos.
"Com o agravamento da crise europeia, indefinições políticas, especialmente na Grécia e Espanha, os mercados tiveram um mês de maio de expressiva queda", ressalta a equipe de análise do HSBC, liderada pelo estrategista Carlos Nunes. O banco alterou a carteira recomendada de ações para junho com o objetivo de adotar uma postura mais defensiva com a preferência a empresas com maior previsibilidade de fluxo de caixa e crescimento estrutural.
Os sinais de hoje
1. Logo nesta manhã os investidores souberam que a economia chinesa enfrentou uma queda na produção industrial em maio. O índice que mede a atividade manufatureira passou de 53,3 pontos em abril para 50,4 pontos. "A baixa relativamente grande do índice em maio se situa dentro de uma tendência de desaceleração econômica", comentou Zhang Liqun, analista da entidade próxima ao governo que coleta os dados. "Não é um viés recessivo, mas a probabilidade de um PIB trimestral anualizado inferior a 8% no segundo trimestre é cada dia mais elevada", ressalta o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho.
2. Nos Estados Unidos, o aguardado Relatório de Emprego trouxe detalhes desanimadores sobre a recuperação econômica. O país criou 69 mil vagas em maio, muito abaixo da expectativa de 150 mil postos de trabalho. Segundo os economistas da consultoria brasileira LCA, os dados podem inaugurar um período em que o desempenho da economia americana deixará de representar um contraponto positivo à evolução preocupante da economia europeia e aos resultados decepcionantes da economia chinesa, "fator que poderá contribuir para aprofundar o clima de incertezas no ambiente global".
3. No Brasil, além de os resultados do primeiro trimestre das empresas decepcionarem, o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) não trouxe alívio. Segundo o IBGE, a economia brasileira cresceu 0,2% no período. "Agora fica impossível imaginar um crescimento superior a 3% para esse ano. A forma como nosso PIB vem se desacelerando, desde o ano passado, indica que foi a desaceleração dos Investimentos que comandou o atual estágio de estagnação econômica, encerrando o período de recuperação iniciado no segundo trimestre de 2009 e que se sustentou fortemente até o segundo de 2011", estima Pedro Paulo Silveira, economista da TOV Corretora.
O que esperar para junho
O tropeço das bolsas mundiais logo no primeiro pregão do mês pode ser um sinal do que vem pela frente. Os principais mercados da Europa caíram forte hoje e o destaque foi a Alemanha. O índice DAX, normalmente mais resistente que os demais, registrou uma baixa de 3,4%, a maior entre os da região. Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 opera abaixo de 2% a 1.277 pontos. Segundo o analista técnico do HSBC, Mauricio Camargo, o índice pode abandonar a tendência de alta que havia sido iniciada em outubro do ano passado quando a média móvel de 50 dias cruzou acima da média móvel de 200 dias.
"É provável que junho seja um mês chave para os mercados, com o acompanhamento de perto das eleições na Grécia e a expectativa de piora em relação aos riscos da Espanha. As eleições gregas neste mês dificilmente levarão a uma saída imediata do euro, mas podem alimentar as dificuldades de seus bancos, o que poderia contaminar potencialmente a Espanha. Acreditamos que tais eventos possam finalmente levar as autoridades europeias a adotarem medidas para tentar controlar essa situação", sintetiza a Ágora, corretora do Bradesco, em um relatório assinado pela equipe de análise liderada por Dalton Gardimam.

segunda-feira, 28 de maio de 2012


Sentimento de mercado já está no nível de "pânico"

Analistas afirmam que investidores precisam se preparar para o pior

São Paulo - Com a crise do euro ainda longe de uma solução e um elevado nível de incertezas, os analistas do mercado começam a alerta que o mais prudente agora é se preparar para o pior.
Apesar de um dia mais tranquilo nesta segunda-feira no Brasil, as ações de bancos na Espanha caíram forte com as dúvidas acerca da recapitalização do Bankia pelo governo do país. A bolsa de Madri recuou 2,2%, muito acima dos outros mercados na região. O prêmio de risco dos títulos do governo espanhol atingiu o maior nível histórico hoje.
"Os indicadores do sentimento do mercado já estão no território de ?pânico?", afirma o Citi em um relatório assinado pela equipe de análise global. Segundo o banco, apesar de a saída da Grécia da zona do euro parecer manejável, os investidores estão cada vez mais preocupados com a disseminação do contágio na zona do euro.
Grécia
O clima em torno da Grécia melhorou um pouco com o crescimento do partido favorável ao pacote de resgate internacional nas pesquisas de intenções de voto para as próximas eleições parlamentares.
O avanço do conservador Nova Democracia pode ser uma indicação de que um governo de coalização possa ser formado após o pleito marcado para 17 de junho. A nova disputa foi convocada após os partidos não terem conseguido entrar em um acordo depois das eleições realizadas em 6 de maio. O índice ASE, da bolsa de Atenas, disparou 6,8% com o anúncio das pesquisas no domingo.
"Para os investidores, o balanço de riscos sugere a preparação para o pior, mesmo que, como cidadãos, esperemos o melhor", avalia Andrew Balls diretor geral da Pimco em Londres.
Solução
Com a perspectiva de que as incertezas comecem a reduzir após as próximas eleições na Grécia, o Citi alerta para um potencial de valorização no curto prazo. "Com os alvos dos analistas de mercado agora sugerindo uma tendência de alta de 20% no final do ano, recomendamos a compra na baixa", dizem.
"Esperamos que a saída da Grécia seja seguida de medidas econômicas de longo alcance como resposta: projetamos que o BCE corte os juros para 0,5% e volte a emitir títulos sob o programa LTRO, que haja novos pacotes de resgate para Portugal e para a Irlanda, e algo do programa de resgate da Troika para a Espanha, mais o suporte do mercado financeiro para os títulos de dívida soberana da Espanha e da Itália", explica o Citi em outra análise.

domingo, 20 de maio de 2012


O que acontece se a Grécia abandonar o euro?

Possíveis consequências dividem opiniões e, no pior cenário, vão desde recessão generalizada até a dissolução do euro

São Paulo - A possível saída da Grécia da zona do euro é cercada de incertezas, mas perece ser cada vez mais iminente. Sem consenso para a formação de um novo governo após as eleições parlamentares, o clima é de apreensão. O Citi já elevou o risco de abandono da moeda pelos gregos para até 75%.
Veja, a seguir, algumas consequências possíveis, caso o país diga adeus à eurozona:
Calote (ou não)
A grande dúvida que cerca a saída da Grécia da zona do euro é: como ficam os credores externos do país?  "Em caso de um calote, os bancos ficariam em situação delicadíssima. Seria um desastre financeiro nunca antes visto", opina Manuel Enríquez Garcia, professor de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP). 
O professor acredita, no entanto, que o Banco Central Europeu e os governos da França e da Alemanha não deixariam isso acontecer, já que o "efeito dominó" poderia fazer com que a crise se alastrasse e tomasse proporções desastrosas.
Isso significaria que ambos os países, que já carregam nas costas os custos mais pesados da manutenção do bloco, teriam que tirar mais uma vez a mão do bolso para salvar seus bancos e evitar um colapso geral do sistema financeiro.
Efeitos colaterais
Mesmo que os governos dos países mais "saudáveis" do bloco venham ao socorro dos credores da Grécia, os investidores se afastarão dos países mais "arriscados", como Espanha, Portugal, Itália e Irlanda, buscando portos mais seguros para o seu dinheiro. O custo de empréstimo para estes países ficará ainda mais alto, o que causará ainda mais problemas para cada um deles, individualmente, e para o bloco.
"A incerteza já está levando muitos a tirar o dinheiro e ir embora", diz Garcia. "O grande problema é que vai ficar a expectativa de quem vai ser o próximo", opina Carlos Honorato Teixeira, professor do Programa de Estudos do Futuro da Fundação Instituto de Administração (FIA).
Desvalorização da moeda
Para a economia grega, os efeitos imediatos serão drásticos, embora especialistas concordem que, no longo prazo, a medida permitiria a recuperação do país. 
O primeiro efeito será a volta do dracma ou a adoção de uma nova moeda que, de cara, deverá valer entre 50% a 80% a menos que o euro, na avaliação de analistas.
Corralito
A consequência imediata será uma corrida aos bancos para a retirada em euros antes que a nova moeda comece a vigorar. Para evitar o colapso do sistema bancário, o governo poderá recorrer ao "corralito", medida estabelecida pela Argentina quando deu o calote. Para evitar as retiradas em massa, o governo congelou os fundos dos poupadores e estabeleceu limites semanais para a retirada de fundos. 
Quebradeira
Mesmo que o governo intervenha, é possível que alguns bancos não tenham fôlego para sobreviver. Empresas com dívidas em euro provavelmente não conseguirão pagar seus credores - já que o débito aumentará consideravelmente de tamanho em relação ao valor da nova moeda - e quebrarão também.
Inflação galopante
A inflação galopante é outro efeito esperado dentro da economia grega. "O governo terá que agir rápido para colocar moeda no mercado, mas vai jogar dinheiro sem lastro", explica Teixeira. 
Com excesso de dinheiro em circulação e escassez de oferta, os preços começam a subir. Com a desvalorização da moeda, os preços de produtos importados também devem disparar, o que é um problema grave já que a Grécia importa 40% dos alimentos que consome, quase todo o seu petróleo e gás natural, e grande parte dos seus medicamentos.
Ativos desvalorizados
Outra consequência será a desvalorização dos ativos gregos, já que haverá uma corrida de liquidação dos investimentos no país. "Vai ser possível comprar ilha grega a preço de banana", brinca Teixeira.
Agravamento da pobreza
Sem dinheiro nos cofres do governo para pagar os salários de servidores e aposentados, entre outros benefícios sociais, a população que já enfrenta taxa de desemprego de mais de 21% e agravamento da pobreza deve ficar em situação ainda mais crítica. 
A volta por cima da Grécia
Se, por um lado, a saída do euro significaria o colapso econômico e social da Grécia, em um primeiro momento, por outro pavimentaria o caminho para a volta por cima do país. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB encolheria pelo menos 10% no primeiro ano. O UBS é ainda mais agressivo em sua previsão: a economia grega poderia encolher entre 40% e 50% logo após a saída do euro. Mas depois da tempestade, viria a calmaria. Com liberdade monetária e sem o peso das medidas de austeridade impostas pelo bloco, o país ganharia folego para se reestruturar e voltar a crescer no futuro.
O fim do euro?
Não há consenso entre os analistas quanto ao futuro do euro sem os gregos. Enquanto alguns apostam que a saída da Grécia tornaria a moeda mais saudável, outros acreditam que ela não se sustentaria. Para Paul Krugman, economista e colunista do New York Times, o euro poderia se dissolver em questão de meses. 
Já para o economista Nouriel Roubini - conhecido por ter previsto a crise financeira de quatro anos atrás - a Grécia não levará consigo países como Portugal, Espanha e Itália. "Economias sem liquidez, mas potencialmente solventes, como Itália e Espanha, necessitarão do apoio da Europa independentemente da existência da Grécia", afirma. As perdas para o continente recairão, segundo Roubini, principalmente sobre instituições financeiras centrais da zona do euro, que teriam fôlego para superá-las.
A rebarba para o Brasil
No pior dos cenários, se a Grécia der o calote e a crise se alastrar ainda mais, os "respingos" podem recair sobre o Brasil. "A bolsa brasileira vem caindo de uma forma muito forte, como todas as outras no mundo, porque não se sabe os efeitos do que pode ocorrer na Grécia sobre o animo das pessoas", destaca Garcia. "Cria-se um clima de extremo pessimismo e, quem tem dinheiro, fica com medo de não ter no momento seguinte. Acaba espalhando o clima de pessimismo e gera uma retração", explica. 

quarta-feira, 16 de maio de 2012


Bolsa está barata, mas risco não vale a pena

Analistas do Santander reduziram a recomendação de exposição à renda variável

São Paulo - O Ibovespa voltou ao campo negativo com a queda de terça-feira e já acumula uma desvalorização de 9% apenas em maio. O desempenho chama a atenção de quem busca por barganhas em momentos como esse, mas nunca é tarde para lembrar que a situação pode sempre piorar. É nisso que acredita a equipe de estratégia de mercado do Santander.
Para os analistas, sob o ponto de vista de valor a bolsa até parece relativamente barata em termos históricos e dado os níveis do juro real. Contudo, eles ressaltam que o "prêmio de risco cobrado pelo mercado não deverá se diluir e permitir a expansão dos múltiplos no curto prazo", explicam em um relatório publicado nesta semana.
O banco reduziu a recomendação de exposição em renda variável de alocação acima da média (overweight) para neutra. "O Ibovespa opera em uma região importante de suporte, representada pela média móvel de 200 dias, demonstrando uma vulnerabilidade técnica que se acentua em meio a tantas incertezas", explicam.
Contexto
A equipe composta por Jayme Paulo Carvalho Junior, Rafael Nascimento Bisinha, Arthur Yukio Sinzato, Patrícia Dalarme Vicentin e Rodrigo Borges de Almeida, ressalta que o aumento das incertezas no cenário global, principalmente com a perda de apoio ao discurso da austeridade fiscal na Europa, contribuiu para a mudança nas estimativas.
"O evento de maior destaque foi o resultado das eleições gregas e o impasse nas discussões para a formação de um novo governo de coalizão. Isso reacendeu o debate sobre a saída do país da Zona do Euro e suas implicações em termos de contágio sobre as economias mais vulneráveis", dizem.
Com isso, novas eleições serão realizadas em junho. A indefinição sobre os rumos elevou a chance de uma possível saída da zona do euro. Em reunião realizada ontem, a chanceler alemã Angela Merkel disse que deseja a permanência da Grécia no grupo da moeda única.
China e Brasil
A percepção de uma desaceleração na China também se soma aos riscos. O Banco Central da China cortou a taxa de depósito dos bancos do país em 0,5 ponto percentual no último final de semana. Agora, os bancos passam a ter que recolher 20% dos depósitos junto ao Banco Popular da China. O corte, contudo, foi visto como "tímido" pelo Santander.
"No âmbito local, algumas medidas adotadas pelas autoridades têm influenciado negativamente a percepção sobre o mix de política econômica brasileira. Além disso, ainda vemos desaceleração na margem e não devem haver eventos no curto prazo capazes de gerar revisões para cima nas projeções dos lucros das empresas", ressaltam.