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sábado, 12 de novembro de 2011

Comentário semanal: crise na Europa guia Ibovespa à 2ª semana seguida de perdas


SÃO PAULO - Ainda com o incerto cenário da Europa em foco, o Ibovespa registrou sua segunda semana seguida de desvalorização, acumulando leve perda de 0,21% durante os pregões de 7 a 11 de novembro. Assim, o índice termina o período aos 58.669 pontos.
As ações da Telemar Norte Leste (TMAR5) voltaram a fechar a semana como o principal destaque de alta dentre os papéis que compõem o Ibovespa, com valorização de 8,24%, cotadas a R$ 55,20 cada. Enquanto isso, os ativos da B2W (BTOW3) recuaram 12,57% na semana, a principal queda dentro do índice, terminando o período aos R$ 11,55 cada.
Petro e ValeEntre os papéis mais líquidos do índice, as ações da Vale (VALE3-0,39%, R$ 45,42; VALE5-0,24%, R$ 42,15) tiveram queda na semana. A principal referência para os papéis foi a publicação do edital da OPA (Oferta Pública de Aquisição) das ações da Vale Fertilizantes (FFTL4) pela mineradora, na quinta-feira. 
Já os papéis da Petrobras (PETR3-0,21%, R$ 23,85; PETR4-0,63%, R$ 21,96) refletiram um noticiário corporativo mais movimentado, e dominado, sobretudo pela divulgação de resultados da companhia. Analistasdivergiam sobre os números que iriam ser apresentados, mantendo as ações praticamente estáveis durante a semana. Outra referência que chamou a atenção dos investidores foi o anúncio de a estatal encontrou petróleoem um poço na área de Franco, no pré-sal da Bacia de Santos.
Gregos e italianosEuropa continuou a ser a principal preocupação do mercado durante a semana. Na segunda-feira, o mercado refletia uma possível mudança de primeiro-ministro na Grécia. Alguns nomes foram especulados, mas a escolha de Lucas Papademos para o cargo só veio na quinta. O novo premiê encabeçará um governo de coalizão, reformando o gabinete ministerial, mas mantendo Evangelos Venizelos como ministro de Finanças. 
A maior referência, contudo, dessa semana foi a Itália - terceira maior economia da Zona do Euro. Na segunda, já se especulava que Silvio Berlusconi, primeiro-ministro do país, renunciaria, aumentando o grau de incerteza do mercado. O premiê italiano eventualmente prometeu deixar o cargo assim que fossem aprovadas novas medidas de austeridade, fato que só ocorreu nesta sexta-feira, abrindo caminho para sua resignação.
Autoridades importantes, como o primeiro-ministro britânico, David Cameron, já haviam classificado a situação italiana como "um perigo claro e constante". Os temores acerca do país preocupam o mercado, o que fez os yields dos títulos públicos de 10 anos alcançarem rendimento de 7,4%, marca considerada insustentável. A economia inteira da Zona do Euro se vê pressionada pelo atual cenário, fazendo com que a União Europeia reduzisse suas projeções de crescimento na região para os próximos anos.
Agenda doméstica e resultadosA agenda doméstica esteve em segundo plano durante os pregões de 7 a 11 de novembro. O Relatório Focus voltou a reduzir a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) nacional, enquanto o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mostrou desaceleração no avanço dos preços.
Outros importantes indicadores da economia nacional divulgados nesta semana foram a Pesquisa Industrial Mensal Produção Física - RegionalLevantamento Sistemático sobre a safra agrícola brasileiravendas do comércio varejistaPesquisa de Custos e Índices da Construção Civil e a Pesquisa Industrial Mensal sobre emprego e salário.
Embora os números da economia brasileira tenham forte relevância, especialmente em um cenário de deterioração da economia global, o principal vetor dos mercados nesta semana por aqui foi a agenda de divulgação de resultados corporativos. A primeira empresa a divulgar foi Hypermarcas (HYPE3), registrando prejuízo, assim como a MMX Mineração (MMXM3), TAM (TAMM4), GOL (GOLL4), Braskem (BRKM5), LLX Logística(LLXL3), Marfrig (MRFG3), Cesp (CESP6), OGX Petróleo (OGXP3), B2W (BTOW3) e Light (LIGT3), muitas impactadas pela grande valorização câmbial durante o trimestre.
Por sua vez, o restante das empresas tiveram lucro no acumulado de julho a setembro. É o caso de Usiminas(USIM3USIM5), AmBev (AMBV4), Cyrela (CYRE3), CCR (CCRO3), Lojas Americanas (LAME4) e Cosan (CSAN3), que tiveram, porém, menos lucro do que o que havia sido registrado no mesmo trimestre do ano anterior. Por sua vez, Itaúsa (ITSA4), BM&F Bovespa (BVMF3), Ultrapar (UGPA3), Gerdau (GGBR4), Copel (CPLE6), Rossi(RSID3), Eletrobras (ELET3ELET6), AES Tietê (GETI4), AES Eletropaulo (ELPL4), Telefônica Brasil (VIVT4) eCPFL Energia (CPFE3) apresentaram avanços nessa linha de seus resultados na comparação anual.
Agenda americana predominantemente positivaA agenda norte-americana esteve carregada na semana. Consumer Credit veio melhor do que indicavam as projeções dos analistas, assim como o Initial Claims, a balança comercial de setembro, o Treasury Budget e o Michigan Sentiment. Por sua vez, o Wholesale Inventories decepcionou o mercado.
Ainda por lá, os investidores repercutiram o discurso de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, na quinta-feira. Bernanke afirmou que a instituição irá concentrar seus esforços em reduzir a taxa de desemprego dos EUA, atualmente em 9%, patamar considerado elevado para o país.
Câmbio e Renda FixaRefletindo a piora de humor no mercado, o dólar comercial registrou alta de 0,11% nesta semana, terminando a R$ 1,7439 na venda. A moeda apresentou desempenho quase oposto do Ibovespa, por ser um investimentoprocurado quando da piora do humor no mercado e preterido com a melhora. 
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 9,97%, queda de 0,26 ponto percentual no período.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 131,81% de seu valor de face, queda de 0,60% na semana.
Já o indicador de risco-País registrou queda de 3 pontos-base na semana, aos 216 pontos.

Europa entra em contagem regressiva para calote e corrida bancária, diz estudo





Analistas da Exclusive Analysis apontam que a turbulência terá início entre os dias 23 e 26 deste mês, desencadeada pelo anúncio de moratória da Grécia

São Paulo – Se o megainvestidor Jim Rogers afirmou nesta semana que “o mundo está em apuros”, talvez ele esteja certo. Pelo menos na opinião dos analistas da Exclusive Analysis, uma firma britânica de pesquisas com foco em riscos globais. Na visão deles, há 65% de chances de uma crise no setor bancário mundial ocorrer até o final deste mês.
pesquisa (veja o documento na íntegra) considerou diferentes cenários para avaliar as probabilidades de uma nova turbulência, desta vez emergindo na Europa e não nos Estados Unidos, conforme ocorreu em 2008.
Os especialistas liderados por Ade Onitolo, diretor de política de risco da Exclusive Analysis, concluíram que a crise terá início entre os dias 23 e 26 de novembro desencadeada por um calote da Grécia e, posteriormente, por uma corrida bancária na Itália.
O levantamento também mostrou que os impasses políticos estão se intensificando cada vez mais na União Europeia (UE), dificultando os líderes na busca por uma solução para a crise de dívida pública na região.
Os efeitos do pânico
No pior – e mais provável – dos cenários, a Exclusive Analysis prevê que os Estados Unidos e o Reino Unido, junto com os BRICs (Brasil, Rússia, China e Índia), se recusam a usar fundos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para socorrer os países da Europa, levando a Grécia a cometer calote e abandonar a Zona do Euro para poder “imprimir dinheiro”.
O que deve acontecer até 17 de novembro:
- A Grécia entra em colapso por conta da falta de consenso dos parlamentares em encontrar uma solução para resolver o problema de dívida pública do país;
- Na Alemanha, cresce a oposição ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês), com os políticos reduzindo os recursos que serão enviados ao fundo;
- Cresce a oposição entre Estados Unidos e o Reino Unido para que o FMI amplie o socorro para a Europa, impedindo o organismo internacional de elevar a ajuda financeira ao EFSF;

- Entre os BRICs, Brasil e China se negam a ceder ajuda direta através do EFSF, exceto por meio do Fundo Monetário Internacional (FMI);
- O EFSF recorre à ajuda do Banco Central Europeu (BCE) que, por sua vez, se recusa a “imprimir mais dinheiro” para socorrer os PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha);
- Diante do fracasso do EFSF, os bancos europeus se recusam a aceitar o corte de 50% na dívida da Grécia. O FMI e o BCE suspendem assim os pagamentos para a Grécia.
O que deve acontecer entre 18 e 22 de novembro:
- Os líderes da Grécia (George Papandreou) e da Itália (Sílvio Berlusconi) perdem o poder, principalmente por conta dos opositores que se negam a aprovar os planos de austeridade, ocasionando assim instabilidade política nos dois países. Esse item do relatório aconteceu antes do previsto (veja na próxima página);
- Na Espanha, passado o período de eleições, novas medidas de austeridade são anunciadas, ampliando os protestos da população;
- Portugal anuncia que não será capaz de cumprir as metas fiscais, comprometendo o pagamento da ajuda recebida pelo FMI e pelo BCE;
- Cresce o medo de que estas economias vão cometer calote, criando uma corrida bancária na Grécia e em Portugal, além de um rebaixamento no rating da dívida pública da França de AAA para AA;
- Os spreads aplicados à dívida dos PIGGs aumentam, com a rentabilidade dos bônus italianos ficando em 7,3%;
- Em um segundo momento do contágio, os clientes de bancos na Espanha e na Itália sentem a crise internamente, correndo às agências bancárias para sacar todo o capital que possuem em instituições financeiras.
- O mercado de crédito interbancário na Espanha e na Itália entra em colapso na medida em que cada banco reconhece que seus rivais também estão em crise;
O que deve acontecer entre 23 e 26 de novembro:
  • A Grécia comete calote e não honra seus compromissos com os credores;
    - O país europeu abandona a Zona do Euro para poder “imprimir moeda” e resgatar o setor bancário local;
    - A divisa grega se desvaloriza rapidamente e os clientes de bancos veem seus investimentos caírem fortemente, já que são convertidos na nova moeda;
    - O calote da Grécia, associado ao fato dos bancos locais não honrarem seus compromissos com credores internacionais, gera uma crise bancária na Europa;
    - A rentabilidade dos bônus italianos aumenta ainda mais e uma corrida bancária atinge o país;
    - O governo italiano congela os depósitos bancários e comete calote no pagamento de suas dívidas
    O estudo da Exclusive Analysis apontam alguns fatores que já ocorreram ou que ainda persistem e que elevam a probabilidade deste primeiro cenário ocorrer:
- Os BRICs já anunciaram que irão somente conceder ajuda aos países europeus por meio das garantias do FMI, não aplicando recursos no EFSF;
- A saída de George Papandreou no comando da Grécia e a provável queda de Silvio Berlusconi na Itália;
- O fracasso de governos em repagar empréstimos bancários leva a falência algumas instituições financeiras na Grécia e na Itália, na medida em que é congelado o mercado de crédito interbancário;
- A Grécia já deu sinais de que pode abandonar o euro para “imprimir moeda”;
- A rentabilidade dos bônus da Itália já ultrapassaram 7%.
Outros capítulos
Os outros dois cenários traçados pela Exclusive Analysis para a Europa, com 25% e 10% de chances de ocorrer, respectivamente, consideram o fato de que novos líderes na Grécia, Itália e Espanha abrirão espaço para a busca de novas soluções para a crise de dívida pública, elevando o diálogo após a redução dos protestos e das manifestações nas ruas destes países.
A Grécia comete calote, mas consegue reduzir em 70% sua dívida com credores. O contágio da crise é contido, evitando a propagação para as demais economias da Europa. O país europeu abandona a Zona do Euro. A Itália e a Espanha recorrem à ajuda do FMI.
Ainda no cenário menos provável (10%), França e Alemanha conseguem ampliar a ajuda ao EFSF, que contará com o apoio e suporte de Mario Draghi, novo presidente do BCE. As condições de mercado melhoram e o rendimento dos bônus dos PIIGS diminui.

O que fazer com o dinheiro da restituição do IR?

SÃO PAULO  - A Receita Federal deposita, nesta terça-feira (15), o dinheiro referente ao primeiro lote derestituições  do IR 2010, além de contribuintes incluídos nos lotes residuais do IR 2009 (ano-base 2008) e IR 2008 (ano-base 2007).
Fazem parte do "megalote" 1.517.603 pessoas com imposto a restituir, totalizando R$ 1,8 bilhão. 
Se você foi incluído no lote, mas ainda está em dúvida quanto ao que fazer com a quantia, veja algumas dicas que poderão ajudá-lo a tomar a melhor decisão.
Afinal, não é todo dia que um "dinheiro extra" aparece na sua conta!

Dê preferência às dívidas e contas
Para quem estourou o limite do cheque especial, está pagando apenas o valor mínimo da fatura do cartão de crédito ou emprestou dinheiro em uma financeira, não há dúvida de que o melhor a fazer é usar a quantia recebida para tentar reduzir o seu saldo devedor.

No caso do cheque e do cartão, este procedimento é fácil, pois se trata de crédito rotativo e a quitação é automática. Porém, vale a pena tentar antecipar o pagamento do crediário da sua TV, por exemplo. Lembre-se que o rendimento bruto (antes de imposto) que irá receber ao investir seu dinheiro na renda fixa é bem menor do que o que terá que pagar no crediário. Sendo assim, não vale a pena investir e sacar todos os meses para pagar as prestações.

Esta também deve ser a escolha de quem está atrasado com outros pagamentos, mesmo que eles não incorram em juros, e exijam apenas o pagamento de multa. A razão para isso é simples: se não pagar, você pode ter seu nome protestado, e isso acaba tendo implicações no seu histórico de crédito.

Renda fixa ainda é boa opção no curto prazo
  Porém, se você não tem dívidas ou contas atrasadas, invista este dinheiro o mais rápido possível. Caso contrário, corre o risco de acabar gastando tudo com compras desnecessárias, perdendo, assim, uma boa oportunidade de fazer crescer o seu pé-de-meia.

Como as alíquotas de IR são decrescentes com o prazo, é preciso pensar com calma por quanto tempo você pretende deixar o dinheiro aplicado, antes de tomar a sua decisão de investimento. De qualquer forma, você deve fazer de tudo para tentar manter o dinheiro investido por ao menos 12 meses, pois a diferença no imposto de renda de quem aplica por prazos inferiores é grande.

Disposto a correr riscos?
Quem está disposto a correr mais riscos, pois não se contenta com o retorno pago na renda fixa, pode optar por investir em ações. 
Mas, lembre-se que, para investir em ações, você precisa estar preparado para este tipo de aplicação, cujo valor pode mudar de maneira drástica, de um dia para o outro, principalmente em períodos de volatilidade como os vividos atualmente. O segredo aqui é manter a calma e investir por um prazo mais longo - especialistas chegam a indicar mais de três anos -, pois aí você consegue escolher o momento certo da venda. Caso contrário, se você precisar sacar no curto prazo, pode ser forçado a vender com perdas, mesmo sabendo que a queda é temporária.
Além disso, como normalmente o 1º lote de restituições de cada ano - neste caso o referente ao IR 2010 - é destinado a pessoas com 60 anos ou mais, conforme estabelecido pelo Estatuto do Idoso, é importante ter bastante cuidado. Quem já investe, deve analisar o percentual já alocado na renda variável e ver se já não está na hora de diminuir a exposição ao risco. Para quem está iniciando, talvez essa não seja a melhor hora de se expor tanto assim. 
A dica, em qualquer caso, é: avalie seus objetivos e prazos e escolha a aplicação que mais se enquadre em seu perfil!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sarkozy diz que é preciso colocar Grécia e Itália 'nos trilhos'

Presidente francês disse que concentrará seus esforços para salvar a Europa e avisou que não há outra alternativa

Nicolas Sarkozy, presidente da França
Nicolas Sarkozy: 'Lutarei com todas as minhas forças para preservar a solidariedade e a força da Europa'
Paris - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, assegurou nesta sexta-feira que está disposto a defender a Europa com "todas as (suas) forças", razão pela qual terá que "colocar novamente nos trilhos" Grécia e Itália.
"Lutarei com todas as minhas forças para preservar a solidariedade e a força da Europa", declarou em um breve discurso nas redes de televisão TF1 e France2, ao término de uma cerimônia comemorativa do Armistício da I Guerra Mundial, nos Campos Elíseos.
"É a herança que recebemos de nossos avós e nossos pais, não temos direito a dilapidá-la", insistiu o chefe de Estado.
"Para França e Alemanha, há duas soluções. A convergência e a paz ou a divergência e o confronto. A convergência e a paz são a Europa. Defenderei esta Europa com todas as minhas forças. Não há outras alternativas", disse o presidente francês.
"A Europa é uma conquista, mas é uma conquista que é preciso defender", ressaltou.
Sarkozy se esquivou de uma pergunta sobre suas críticas à União Europeia, que convocou na quinta-feira a França a aprofundar os planos de austeridade.
"O que é preciso é colocar novamente nos trilhos a Grécia, o que está ocorrendo, e nossos amigos italianos (...), é o que está sendo feito", disse.
Segundo Sarkozy, "nesta crise mundial é preciso encontrar a força, a energia, o valor para que a França continue sendo uma das grandes nações do mundo e uma das primeiras da Europa".

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

As ações brasileiras mais ameaçadas pela crise da Europa

 

Analistas do Bank of America destacam as empresas mais expostas à crise

Navios com contêineres de importação e exportação
Os resultados das exportadoras de commodities podem ser afetadas pelos menores preços

São Paulo – As ações das empresas em todo o mundo têm sido afetadas pela maior aversão ao risco dos investidores com os problemas da dívida na zona do euro, mas na América Latina existem preocupações específicas que podem atrapalhar ainda mais o desempenho de algumas delas na bolsa.
 
Os analistas do Bank of America Merrill Lynch traçaram 4 vias em que a crise pode afetar os papéis na região: exportações mais fracas, menores preços das commodities, preocupações sobre a governança corporativa e um menor acesso a recursos financeiros no mercado de capitais.
“No ponto atual, não acreditamos que esses canais sejam fortes suficientes para justificar uma ação imediata sobre as empresas afetadas. Mas dado o quão frágil é o equilíbrio na Europa, os investidores devem considerar esse roteiro para agir em caso de riscos remanescentes”, destacam Pedro Martins, Renato Onishi e Marina Valle.
A equipe europeia do banco reduziu a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro para 2012 de 0,8% para -0,6%. Os economistas levaram em consideração uma política fiscal mais apertada na região, a desalavancagem bancária e as menores condições de crédito e um alto nível de incerteza sobre a crise das dívidas soberanas.

1 – Exportações
O banco explica que o impacto direto da queda das exportações é limitado. Os embarques dos países da América Latina para a Europa em relação ao PIB correspondem a apenas 16%, sendo o Brasil e Peru os mais expostos (21% do total).
Veja as empresas brasileiras mais expostas às vendas para a região, dentro das analisadas pelo banco:

EmpresaCódigoExposição
MarfrigMRFG334%
FibriaFIBR331%
IochpeMYPK427%
WegWEGE323%
SuzanoSUZB620%
MetalfrioFRIO320%

2 – Impacto nas produtoras de commodities
Os analistas avaliam que os resultados das exportadoras de commodities podem ser afetadas pelos menores preços, principalmente para o petróleo, papel e celulose.
“Por outro lado, as commodities metálicas e outras estão mais proximamente ligadas às perspectivas das demandas dos mercados emergentes, mais notadamente a China”, dizem.
Para o banco, as brasileiras mais expostas são: CSN (CSNA3), Fibria (FIBR3), Gerdau (GGBR4), MMX (MMXM3), Suzano (SUZB6) e Usiminas (USIM3; USIM5).

3 – Empresas controladas

As companhias que têm o controle europeu também podem ser afetadas pela crise. A controladora pode, por exemplo, solicitar o envio de mais dividendos das subsidiárias, o que pode afetar os investimentos da empresa em seu negócio local. Além disso, sem o apoio externo, elas ficam sozinhas em uma eventual necessidade de capital.
“Vale lembrar que mesmo durante a severa desaceleração econômica após a quebra do Lehman em 2008-2009 não afetou materialmente os planos de crescimento das empresas na América Latina controladas por acionistas americanos ou europeus. A principal razão disso foi que a região iria continua a oferecer altos níveis de crescimento com um risco macroeconômico decrescente”, explicam.
As brasileiras com controle ou acionistas europeus são: AmBev (AMBV4), Pão de Açúcar (PCAR4), Energias do Brasil (ENBR3), Ecorodovias (ECOR3), OHL (OHLB3), Santander Brasil (SANB3), Souza Cruz (CRUZ3), Telefônica Brasil (VIVT4), TIM (TCSL4), Tractebel (TBLE3) e Wilson Sons (WSON11).

4 – Congelamento do mercado de capitais
Os analistas destacam que um calote desordenado na Europa pode levar a uma lembrança de 2008 quando o mercado de crédito literalmente foi desligado. Mas essa não é a expectativa deles, mostra o relatório.
“A América Latina não está exposta a uma crise sistêmica de crédito caso as preocupações sobre as dívidas soberanas e dos bancos escalem na Europa, mas não deve passar sem arranhões”, explicam. A região pode sofrer uma contração significativa nas linhas de crédito.
As companhias que possuem um maior nível de fluxo de caixa livre, e devem ser menos afetadas, são: Telefônica Brasil (VIVT4), Randon (RAPT4) e TIM (TCSL4). As que possuem um menor fluxo livre são: Suzano (SUZB6), MMX (MMXM3), B2W (BTOW3), Log-In (LOGN3), Lupatech (LUPA3), Marfrig (MRFG3), Wilson Sons (WSON11), SLC Agrícola (SLCE3) e Minerva (BEEF3).

Na Itália, não pode acabar em pizza

Antes restrita aos países da periferia da Europa, a crise bate na porta da Itália, a terceira maior economia do euro, e deixa o mundo com medo de um novo momento Lehman Brothers

Silvio Berlusconi
Il cavaliere Berlusconi: para seus pares, “um sujeito relapso e irresponsável”

São Paulo - A crise econômica tem deixado um rastro de destruição na política europeia. Em fevereiro, o então primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, foi derrotado nas eleições locais. Em março, José Sócrates renunciou ao posto de primeiro-ministro de Portugal.
Em seguida, o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero anunciou que não encabeçaria a lista dos socialistas numa nova eleição — que será realizada no final deste mês.
Na primeira semana de novembro foi a vez de George Papandreou — o atrapalhado primeiro-ministro grego, que, em questão de seis dias, lançou a ideia de um referendo popular para votar o pacote de ajuda a seu país e acabou perdendo o apoio do próprio partido. O próximo na linha de tiro é o italiano Silvio Berlusconi, o mais polêmico, falastrão e importante de todos eles.
Em 8 de novembro, dia do fechamento desta edição, Berlusconi viu o apoio a seu governo minguar na votação sobre os gastos do ano passado. A prestação de contas foi aprovada, mas, com 321 abstenções, ficou claro que o premiê italiano não contava mais com a maioria no Parlamento.
Depois de se reunir com o presidente Giorgio Napolitano, Il Cavaliere, como Berlusconi é chamado na Itália, anunciou o plano de renunciar após o Parlamento votar o pacote de austeridade prometido à União Europeia, que inclui uma reforma da previdência e das leis trabalhistas, além de privatizações. Ainda sem data marcada, a votação deve ocorrer nas próximas semanas.
Embora a Grécia hoje simbolize tudo o que há de errado na zona do euro, sua débâcle não pode ser comparada a um eventual e temido calote italiano. Historicamente, a dívida da Itália sempre foi alta. Hoje equivalente a 121% do PIB, é a segunda maior da Europa, atrás somente da grega.
Até o ano passado, o alto endividamento era considerado mais uma marca do país — assim como a pizza napolitana e os canais de Veneza. Diante do agravamento da crise na periferia da Europa, a percepção do que é arriscado mudou.
Desde que a Grécia, que já havia sido socorrida pelo FMI em maio de 2010, voltou a flertar com uma moratória, parte dos investidores iniciou uma corrida para se livrar de papéis da Itália, um país que, além da dívida, carrega o estigma do crescimento lento e da confusão política.
Desde agosto, o Banco Central Europeu (BCE), agora comandado pelo italiano Mario Draghi, comprou o equivalente a 70 bilhões de euros em títulos da dívida italiana. Mas isso não foi o suficiente para acalmar os investidores.
Um recente anúncio do banco francês BNP Paribas deu o tom do momento: depois de afirmar que haviam vendido 40% de seu estoque em papéis italianos, seus executivos foram aplaudidos. Os investidores que aceitam comprar os títulos estão exigindo juros cada vez mais altos. No fechamento desta edição, a taxa chegou a 6,77% ao ano, o nível mais elevado desde a criação do euro, em 1998. 
Paura, paura
O maior temor hoje é que, como consequência do medo dos investidores, a dívida italiana se torne impagável. A crise grega, então, passaria a ser brincadeira de criança. Itália e Grécia têm economias de tamanho e sofisticação diferentes. O PIB grego equivale ao da região metropolitana de São Paulo.
A Itália é a segunda maior potência industrial da Europa, depois da Alemanha, tem o terceiro maior PIB da zona do euro e o oitavo maior do mundo. As riquezas produzidas no país são equivalentes à soma das de Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia. 
Como a Itália não é a Grécia, os efeitos de uma moratória italiana também seriam de outra categoria. Para muitos analistas, a própria sobrevivência do euro estaria, então, em perigo.
“Um calote da Itália seria, com certeza, como um novo momento Lehman Brothers na economia mundial”, diz Barry Eichengreen, professor de economia da Universidade da Califórnia.
“Seria algo próximo ao fim do mundo. Por isso precisa ser evitado de qualquer maneira”, diz Mauro Guillén, diretor do centro de negócios internacionais da escola de administração Wharton, da Universidade da Pensilvânia.
O que torna a situação especialmente dramática é a falta de confiança de parte do mercado na capacidade dos políticos italianos de enfrentar a resistência dos sindicatos, aprovar e depois colocar em prática o plano de austeridade prometido à União Europeia
Em outras palavras, muitos duvidam que o país comece a reduzir seu nível de endividamento no curto prazo. “O Japão tem uma dívida elevada, mas ainda assim é um porto seguro, porque tem credibilidade entre os investidores. Esse não é o caso da Itália”, diz o italiano Alessandro Magnoli Bocchi, ex-economista do Banco Mundial.
No final de outubro, no encerramento de uma cúpula europeia, o presidente francês Nicolas Sarkozy foi perguntado se havia cobrado Berlusconi a respeito das reformas na Itália. E se ele, Sarkozy, tinha certeza de que Berlusconi estava ouvindo.
Num gesto raríssimo entre mandatários europeus, Sarkozy olhou para a premiê alemã, Angela Merkel, a seu lado, e os dois, cúmplices, deram um sorriso irônico.
“Seus pares e o mercado veem Berlusconi como um sujeito relapso e irresponsável”, disse a EXAME o italiano Giovanni Sartori, que, aos 87 anos, é um dos mais respeitados cientistas políticos em todo o mundo. “Sua decisão de sair é mais que acertada.”
Mesmo ridicularizado no exterior e sem apoio interno, Berlusconi busca uma saída por cima. Ao convocar a votação do pacote de austeridade, jogou a pressão para o Parlamento.
Eleito três vezes, Berlusconi é o primeiro-ministro há mais tempo no poder desde o pós-guerra. O que acontecerá após sua renúncia? O presi­dente Napolitano pode determinar a formação de um governo provisório até as eleições previstas para 2013 ou pode antecipar o pleito imediatamente — tese defendida por Berlusconi. Ou seja, o passeio dos italianos pela bei­ra do abismo parece estar longe de acabar. Por enquanto, o grand finale não tem data marcada.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Bovespa segue exterior e fecha com queda de 2,50%

A promessa de renúncia do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, não enfeitiça mais o mercado e os investidores trataram de fugir do risco

 
Funcionários da Petrobras na Bacia de Campos
Funcionários da Petrobras na Bacia de Campos: o adiamento de leilões vem desapontando os investidores

São Paulo - A Bovespa acompanhou de perto o desempenho dos mercados internacionais e fechou em forte queda, perdendo de uma vez o patamar de 59 mil pontos e de 58 mil pontos, para fechar no menor nível desde o primeiro pregão do mês. A promessa de renúncia do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, não enfeitiça mais o mercado e os investidores trataram de fugir do risco. O aumento das margens para a negociação dos títulos soberanos italianos adicionou estresse.
O Ibovespa terminou o dia em baixa de 2,50%, aos 57.549,74 pontos, menor nível desde os 57.322,75 pontos registrados no primeiro pregão do mês. Na mínima, registrou 57.201 pontos (-3,09%) e, na máxima, 59.011 pontos (-0,03%). No mês, voltou a acumular perda, de 1,35% e, no ano, cai 16,96%. O giro financeiro totalizou R$ 6,084 bilhões. Os dados são preliminares.
O cenário instável na Europa, sobretudo em Itália e Grécia, fez com que os investidores fugissem do risco. Hoje, com a chamada de margem da câmara de compensação LCH.Clearnet, os preços dos bônus da Itália despencaram, provocando um forte aumento no yield (retorno ao investidor), que levou as taxas para novos recordes desde a criação do euro.
As bolsas, assim, desabaram. A da Grécia até que caiu pouco (-1,70%), antes da notícia de que o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, do Partido Socialista (Pasok), e Antonis Samaras, presidente do partido Nova Democracia e representante da oposição, não conseguiram chegar a um acordo sobre quem deve comandar o próximo governo de coalizão grego, forçando o presidente do país, Karolos Papoulias, a convocar uma reunião com líderes políticos na quinta-feira para tentar resolver o assunto. Mais cedo, uma fonte havia dito que o presidente do parlamento da Grécia, Fillipos Petsalnikos, assumiria o cargo de primeiro-ministro, mas aparentemente os políticos gregos desistiram da decisão.
A situação europeia afetou o comportamento das bolsas nos EUA, que tombaram. Às 18h17, o Dow Jones desabava 3,03%, o S&P recuava 3,40% e o Nasdaq tinha baixa de 3,55%. Na Nymex, o contrato do petróleo para dezembro encerrou em queda de 1,09%, a US$ 95,74 o barril.
No Brasil, apenas seis ações terminaram em alta. Petrobras ON despencou 4,71% e a PN caiu 4,24%. Vale ON perdeu 1,64% e a PNA, -1,58%. Gerdau PN, -2,56%, Metalúrgica Gerdau PN, -2,83%, Usiminas PNA, -1,50%, CSN ON, -4,06%. No setor financeiro, Bradesco PN, -1,60%, Itaú Unibanco PN, -2,52%, BB ON, -2,72%, e Santander unit, -2,26%.