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segunda-feira, 14 de maio de 2012


Renda extra mensal pode chegar a 100.000 reais

6 dicas de atividades alternativas que podem render até mais de 100.000 reais

São Paulo - Não raro, os gastos com lazer acabam ocupando boa parte do orçamento e o plano de fazer um investimento ou pensar na previdência são postergados. Talvez a alternativa seja uma mudança de tática. Pensando nisso, a reportagem da EXAME.com deixou um pouco de lado as propostas de corte de gastos e buscou dicas de como aumentar a receita mensal com fontes de renda alternativas.
O resultado? Dicas que podem chegar a acrescentar centenas de milhares de reais ao orçamento e tornar uma pessoa milionária em alguns meses se as sugestões forem levadas a cabo.
Anísio Castelo Branco, presidente do Instituto Brasileiro de Finanças, Perícias e Cálculos (Ibrafin), defende a estratégia: "Em vez de deduzir da renda fixa as despesas fixas e variáveis, o cálculo de controle das finanças deveria ser feito em duas partes: da renda fixa se deduzem os gastos fixos; e de uma fonte de renda extra são deduzidos os gastos extras".
Basicamente, todas as sugestões partem do princípio de buscar o seu lado monetizável. E em todas vale ponderar, de acordo com o seu contrato de emprego, até que ponto pode chegar a dedicação à atividade extra, para que ela não gere conflitos.
É importante ressaltar também que as novas receitas, em alguns casos, podem implicar em novas tributações. Se a renda extra não for obtida de uma pessoa jurídica e, portanto, não tiver sido tributada na fonte, ela deve ser declarada no imposto de renda.
E ainda, com fontes provenientes de duas fontes jurídicas, na hora de fazer a declaração do Imposto de Renda, deve ser feito o chamado "mensalão". "Se as duas fontes somadas resultam em um imposto maior do que o já tributado na fonte, o contribuinte deve declarar e pagar o imposto sobre essa diferença, o recolhimento na forma de mensalão", esclarece Jorge Lobão, diretor de relações institucionais do Centro de Orientação Fiscal (Cenofisco).
1. Ministre palestras
Todo mundo tem alguma história para contar. E para Thales de Azevedo Leito, sócio-fundador da Ata Palestras, todo mundo tem também uma palestra para dar. Ele trabalha no ramo há 14 anos e conta que recorrem à esta renda extra desde camelôs e especialistas em Acarajé até ex-ministros e o ex-presidente Lula.
Os cachês também variam, e muito. Podem chegar a centenas de milhares de reais e, segundo Thales, não é difícil receber mais de 1.000 reais em uma palestra. "Este é um mercado milionário e tem crescido muito porque a cultura brasileira é muito verborrágica. Qualquer um pode dar uma palestra, para isso basta ser natural e ter alguma coisa para falar que interessaria a alguém mais", afirma Thales.
A Ata Palestras oferece treinamentos para quem quiser se iniciar na área. Os preços são acordados segundo a perspectiva de retorno que o conferencista oferece à empresa. Isto é, se ele for um palestrante com potencial e concordar em se vincular à empresa, ele pode até não pagar nada pela consultoria.
A Ata também busca empresas que paguem pela palestra. Para isso, ela cobra uma parcela do cachê, que varia de acordo com a remuneração do palestrante.
2. Faça um blog ou crie um site e atraia anúncios
Fazer um blog ou criar um site, dependendo do número de acessos, pode render até centenas de milhares de reais com anúncios.
Segundo Edney Souza , vice-presidente da Boo Box e coordenador do Curso de Educação Executiva em Redes Sociais da Trevisan, um  veículo criado há pouco tempo e que chegue a ter 10.000 acessos diários pode render mais de 1.000 reais em anúncios em menos de um mês.
Para quem está começando e não sabe como atrair  anúncios, na Boo Box o autor do site ou blog se cadastra de graça e a empresa fica responsável por trazer os anunciantes. Eles encontram as empresas que possam ter interesse em anunciar, de acordo com o perfil do site, e cobram do publisher 50% sobre o valor pago pelo anunciante.
Souza explica que a qualidade da informação é imprescindível para que o autor consiga retorno financeiro. "Para quem quer ganhar dinheiro, a melhor fórmula é pensar qual é o mercado que tem negociante interessante e o que eu tenho de conhecimento que pode gerar interesse", explica Souza.
3. Participe de um Conselho Administrativo
Antes os conselheiros de administração eram admitidos apenas por indicação e se fossem grandes executivos. Hoje, em muitos casos, recrutadores buscam o profissional ideal ou ele mesmo se apresenta. E não é imprescindível ter um cargo de chefia; ser jovem e ter um conhecimento específico que possa contribuir para a empresa podem ser o suficiente.
Um Conselho de Administração tem a função de definir os rumos de um negócio e a remuneração média de um conselheiro é de 14.000 reais, segundo Heloisa Belotti Bedicks, superintendente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).
O segredo desta renda extra é identificar alguma competência em você que possa ser valiosa a determinada empresa. "É importante ter pessoas com experiência maior, mas em uma empresa de tecnologia pode ser importante ter uma pessoa jovem que seja especialista em mídias sociais", esclarece Heloísa.
Ela recomenda que qualquer profissional que trabalhe "full time" não participe de mais de um conselho, já que os conselhos exigem um alto nível de dedicação do profissional.
Para quem quiser encarar este "sofisticado" trabalho extra, mas não sabe por onde começar, o IBGC tem um curso de formação com duração de 64 horas. O investimento é de 9.000 reais para associados e 11.000 reais para quem não é sócio.
4. Conquiste clientes para conhecidos e peça comissão
Se você não tem tempo sobrando, mas gostou da ideia de ganhar uma renda extra, esta pode ser a melhor opção para você. Basicamente, ela consiste em pedir uma remuneração por algo que as pessoas fazem banalmente: indicar serviços de médicos, advogados ou consultores a conhecidos.
O professor Anísio Castelo Branco, é um grande adepto da prática. Ele diz que é possível ganhar milhares de reais em apenas uma indicação. "Uma pessoa que fez uma plástica, pode combinar com o cirurgião uma comissão de 10% sobre cada paciente que indicar. Ela vai ganhar um bom dinheiro sem fazer esforço".
Ele acrescenta que a remuneração aumenta de acordo com o grau de influência da pessoa. Alguém que trabalha na área de vendas, por exemplo, terá uma rede de contatos maior e pode fazer mais indicações.
É o caso da empresária Rebeka Borges, que trabalhava com moda e tinha contato frequente com indústrias do setor de beleza. Um amigo a apresentou ao dono de uma transportadora interessado nos contatos. Depois de lhe garantir o primeiro cliente, ela passou a cobrar pelo "serviço". "Eu já ganhei 2.000 reais, 5.000 e até 10.000 reais. Depende do tipo de transação", relata.
5. Faça traduções de textos
Fazer traduções de livros, artigos, documentos e afins é outra opção que não compromete o seu emprego principal. O tradutor pode determinar a hora e o local do trabalho livremente.
Renata Paiva é analista em uma consultoria. No seu emprego anterior, uma de suas funções era fazer tradução de pesquisas. Ela pediu à ex-chefe que a avisasse se houvesse algum trabalho de tradução. Desde então, tem traduzido pesquisas semanalmente e ganha com isso 1.500, ou 1.600 reais a mais por mês, fazendo em média três traduções.
Na outra empresa, ela contratava free lancers para fazer tradução, e disse que o preço varia de 30 a 50 reais por lauda. "Como eu não sou tradutora profissional, eu cobro um valor 25% abaixo do preço de mercado. Com isso eu consigo receber mais ofertas".
6. Escreva um livro
Inúmeros sites de editoras possuem um campo de acesso escrito: Seja nosso autor. Com uma boa ideia e alguma vocação é possível se tornar um escritor, mesmo sem dedicação exclusiva à atividade. E, dependendo da aceitação, a renda extra pode ser alta e duradoura.
Mais uma vez, tudo depende de uma avaliação sobre o que você tem para dar e o que o universo esta disposto a pagar.
Rodolfo Araujo, gerente de conhecimento e inovação da Edelman Significa, sempre manteve fontes de renda alternativas. Ele sempre  gostou de escrever, e, por isso, recebeu uma proposta para escrever um livro sobre a grife Chilli Beans. O livro foi publicado há um mês e ele espera um bom retorno. "Eu dou aula, já escrevi outros livros, dou cursos e sou muito curioso. Assim, as oportunidades vão aparecendo".

sábado, 12 de maio de 2012


Como passar de endividado a investidor em 60 dias

As quatro etapas para sair das dívidas, poupar e investir em um período de dois meses a um ano

São Paulo - Passar do status de endividado a investidor pode parecer uma transformação muito difícil e demorada. Mas com um pouco de esforço, é possível transformar as finanças com mais rapidez do que se imagina. EXAME.com ouviu consultores para traçar um plano da melhor maneira de fazer uma faxina na vida financeira, em quatro etapas: endividado, zero a zero, poupador e investidor.
1. Endividado
Este primeiro passo, para muitos, pode ser o mais difícil de resolver em pouco tempo.
O consultor financeiro Mauro Calil sugere que se comece pelo mais básico: "A pessoa deve listar todas as dívidas, os montantes e os juros de cada uma. Em seguida, fazer uma planilha com todas as receitas, as despesas necessárias, as "super" necessárias e as esporádicas, que são os gastos por impulso. Com isso, você vê a sua capacidade de geração de renda, e o quanto é necessário para sanar as dívidas".
O passo seguinte é a redução de gastos que não são imprescindíveis e, então, a quitação da dívida. "A pessoa deve sempre dar prioridade à dívida com a maior taxa de juro", orienta Calil.
Dependendo do tamanho da dívida, essa etapa pode demorar a ser concluída. Aí, cabe outra medida: "Se você vir que vai levar anos para sanar a dívida, cabe outra providência: lance mão de um patrimônio de alta liquidez, como um carro ou uma moto, que possa ser vendido para quitar a dívida."
Com o dinheiro na mão, parta para a negociação, avaliando quais credores oferecem as melhores condições. "Se a pessoas têm uma dívida de 10.000 reais, ela deve procurar quitá-la de uma vez, forçando descontos".
E por fim, o consultor recomenda que a negociação não seja desonrada em hipótese alguma. "É preferível não pagar a dívida e ter que negociar com um juiz do que negociar o pagamento e não honrar", afirma Calil. Veja como se livrar dos problemas com dívidas em 10 dias.
2. Zero a zero
Depois de dar adeus à vida de devedor, você deve dar mais um importante passo: manter-se em abstinência de dívidas.
Anísio Castelo Branco, presidente do Instituto Brasileiro de Finanças, Perícias e Cálculos (Ibrafin), diz que isso pode ser mais fácil se você começar a planejar os seus gastos variáveis. "No Brasil, nós vivemos o problema da CLT: se você tem um salário de 3.000 reais, é isso que você vale. As pessoas acabam se limitando ao que ganham", diz.
Em vez disso, Castelo Branco sugere a busca de outras maneiras de ganhar dinheiro. Ele cita alguns exemplos: se você tem um amigo que é consultor imobiliário, sugira ajudá-lo a fechar negócios em troca de uma comissão. "É preciso pesquisar opções para montar uma receita variável, diz o presidente do Ibrafin.
Se você não consegue vislumbrar uma opção para obter esta renda extra, Castelo Branco dá uma outra dica: "Se a pessoa tem tendência a reincidir nos mesmos erros de antes, deve quebrar o cartão de crédito, não pegar talão de cheques e ficar longe de tudo que leve ao endividamento até novamente se sentir segura e ter controle sobre os gastos."
Mauro Calil também ressalta que neste momento é muito importante que o ex-endividado reconheça os avanços. "Muitas pessoas falam sobre como enriquecer. Na verdade se a pessoa já tem um centavo, 10 reais ou 30 reais a mais, ela já enriqueceu. O importante é que amanhã você tenha algo a mais que hoje, não importa o quanto. O importante é caminhar para frente", avalia Calil.
Saiba quando o endividamento pode ser uma doença.
3. Poupador
Com equilíbrio nas contas, comece a fazer o que os consultores chamam de investimento saudável. Neste ponto, o conselho básico é poupar 10% do orçamento para formar um colchão financeiro, que é o dinheiro reservado para emergências. O ideal é que este montante seja suficiente para que você consiga se manter durante pelo menos 12 meses. "A pessoa que está começando do zero pode começar pela boa e velha caderneta de poupança, que é um tipo de investimento para quem não tem conhecimento sobre aplicações", orienta Calil.
Nesta fase já começa uma vida financeira sustentável. Um passo fundamental para se manter assim e ainda conseguir avançar é disciplina. O primeiro passo nesse sentido é separar o que é gasto do que é investimento. A rigor, investimentos geram retornos financeiros; mas mesmo alguns gastos podem ser considerados investimentos se, indiretamente, ajudarem você a gerar mais dinheiro.
"Antes de comprar qualquer coisa, peça para o vendedor separar o produto e diga que você vai voltar em três dias para buscá-lo. Se nesse tempo você não sentir falta daquele item, provavelmente ele seria apenas um gasto por impulso. Aí sim a pessoa passa a ser credora dela mesma, e não mais do banco", diz Anísio Castelo Branco.
4. Investidor
Antes de investir, é preciso identificar o seu perfil. Pessoas completamente avessas a risco - de calote, de oscilação de preços e de qualquer tipo de perda - são conservadoras, e devem preferir investimentos em renda fixa com baixo risco de crédito. Isto é, títulos públicos (operados via Tesouro Direto), fundos DI, fundos de renda fixa sem crédito privado, CDBs de grandes bancos que paguem mais de 90% do CDI e caderneta de poupança.
Quem toparia correr um pouco de risco pode, além da renda fixa, buscar fundos multimercados ou fundos de ações para um pequeno percentual do seu patrimônio investido. E quem tem um perfil mais agressivo pode investir a maior parte do dinheiro poupado em ações, diretamente ou por meio de fundos, desde que mantenha um colchão de liquidez em renda fixa mais conservadora.
"Você pode pesquisar em outros lugares, mas é muito importante começar a decidir por si mesmo, para não ser direcionado pelo que for de interesse do banco, por exemplo", lembra Castelo Branco.
Mauro Calil ressalta que as opções de maior risco são mais indicadas para quem já tem mais experiência. Para os iniciantes, investimentos em Tesouro Direto e em CDBs são mais indicados. "Depois que a pessoa já iniciou a poupança e quer sofisticar e diversificar a aplicação, ela pode estudar imediatamente os investimentos em Tesouro Direto ou em CDBs, principalmente os de bancos de médio e pequeno porte, que têm uma rentabilidade maior do que os de um banco grande e contam com a garantia de 70.000 reais do Fundo Garantidor de Crédito".
É importante lembrar que, com as mudanças nas regras da poupança e com a perspectiva de redução na Taxa Selic, algumas variáveis entraram em jogo, e será preciso avaliar com mais cuidado quais são melhores opções de aplicação de acordo com o prazo do investimento.


Ibovespa pode ter semana de recuperação, podendo buscar 62.900 pontos

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SÃO PAULO - A semana entre os dias 7 e 11 de maio foi mais uma vez marcada pela turbulência no cenário externo, o que levou o Ibovespa a encerrar o período com forte queda de 2,26%, aos 59.445 pontos, registrando quatro semanas de quedas consecutivas.
As incertezas em relação à Zona do Euro prevaleceram na semana, com os bancos espanhóis sinalizando fraqueza, enquanto a vitória do socialista François Hollande nas eleições francesas sinaliza que em vez de redução, os gastos possam ser elevados no país. Além disso, a provável saída da Grécia da União Europeia mostra que a região não é tão sólida como se imagina.
Contudo, apesar do cenário europeu preocupar, o que pesou para a semana negativa do mercado foram os fracos dados sobre a economia chinesa. "A China é a indústria do mundo. Ela que vai gerar o consumo e a demanda para a matéria-prima. Se o mercado parar por lá, o resto do mundo para ver o que está acontecendo. Desde 2009 a China não sofre uma desaceleração econômica tão grande como o que aconteceu agora", destaca Leonardo Hermoso, diretor da Tradeal Investimento.
Após realização, semana pode ser de repique
Apesar de o cenário externo pesar, Hermoso afirma que o que foi visto no mercado foi mais um movimento de realização de lucro e não um "desespero de venda" por parte do investidor. "Foi muito mais realização, pois o Ibovespa parou exatamente na média móvel de 200 períodos, que é onde o estrangeiro costuma olhar como um bom ponto de compra", afirma.
Na sequência da realização, o diretor da Tradeal acredita em um período de repique para a semana entre os dias 14 e 18 de maio, com o principal benchmark brasileiro buscando atingir os 62.900 pontos, após chegar próximo da importante barreira dos 59.300 pontos nesta semana. "Essa alta vai ser muito mais baseada em análise técnica do que em fundamentos", estima.
Ata do Fomc e Initial Claims nos EUA
Segundo Hermoso, a ata do Fomc (Federal Open Market Committee), referente à reunião do dia 25 de abril, e o Initial Claims são os fatores que podem mudar o cenário do mercado. "Tenho receio da ata do Fomc. Nunca se sabe o que vem dela e as últimas vem demonstrando uma lenta recuperação da economia e é isso que pode mudar o humor do mercado na semana", pondera.
Os analistas José Francisco de Lima Gonçalves, Luiz Fernando Azevedo e Armênio Westin, da Fator Corretora, destacam ainda dois indicadores de atividade que devem chamar a atenção na agenda norte-americana: vendas no varejo e produção industrial.
Os analistas afirmam, baseados em pesquisa realizada pela Bloomberg, que o primeiro deve apontar uma desaceleração no crescimento das vendas em abril, após alta de 0,8% em março. Já a pesquisa para a produção industrial deve mostrar recuperação em abril, após a estabilidade apresentada no mês anterior.
Europa, Ásia e Brasil
Em continuidade aos indicadores divulgados na semana, o destaque na Europa será a divulgação das primeiras estimativas de PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre de 2012 para a Zona do Euro, Alemanha e França.
Segundo os analistas da Fator Corretora, as expectativas coletadas pela Bloomberg apontam melhora na Alemanha na Zona do Euro. "Já o PIB francês pode desacelerar", relatam os analistas.
O bloco econômico também terá outros importantes indicadores, como a produção industrial e a balança comercial de março e o CPI (Consumer Price Index) de abril, além da pesquisa de sentimento econômico, também realizada para a Alemanha. Já na Ásia, o único indicador relevante na semana é a produção industrial no Japão.
No Brasil, os investidores chamam a atenção para os dados de vendas no varejo e para o IGP-10 (Índice Geral de Preço) de maio, para o qual a expectativa do Banco Fator é de 1%. "Os preços industriais no atacado estarão pressionados", sinalizam os analistas da Fator.

sexta-feira, 4 de maio de 2012


Spread bancário

Spread bancário é a diferença entre a remuneração que o banco paga ao aplicador para captar um recurso e o quanto esse banco cobra para emprestar o mesmo dinheiro.
O cliente que deposita dinheiro no banco, em poupança ou outra aplicação, está de fato fazendo um empréstimo ao banco. Portanto o banco remunera os depósitos de clientes a uma certa taxa de juros (chamada taxa de juros de captação ou simplesmente taxa de captação).
Analogamente, quando o banco empresta dinheiro a alguém, cobra uma taxa pelo empréstimo – uma taxa que será certamente superior à taxa de captação. Adiferença entre as duas taxas é o chamado spread bancário.

Decomposição do spread bancário

Enquanto o governo (e boa parte da população) coloca a culpa do alto spread bancário nos lucros exorbitantes dos bancos, estes se defendem por conta da alta inadimplência e do depósito compulsório (o que é depósito compulsório?).
No final das contas, quem está com a razão?
Para termos essa resposta, vamos recorrer ao Relatório de Economia Bancária e Crédito – 2010, que pode ser encontrado na página de Juros e Spread Bancário do Banco Central.
Apesar dos dados mais recentes serem apenas de 2010, ainda assim é possível tirar ótimas conclusões sobre o assunto.
Analisemos a tabela abaixo:
Decomposição do spread bancário
É possível que, em 2010, a taxa média de aplicação (taxa de juros cobrada pelos bancos) foi 39,70%, enquanto a taxa média de captação (taxa de juros que os bancos ofereceram aos clientes) foi apenas 11,83%.
O resultado dessa conta é um spread bancário de 27,87% (39,70 – 11,83).
Como pode ser visto sem dificuldades, a maior parcela do spread bancário vemMargem Bruta, Erros e Omissões (lucro dos bancos), muito superior, por exemplo, àinadimplência e ao compulsório.
Não é difícil concluir que nós estamos corretos em afirmar que a culpa das altas taxas é da ganância dos bancos, e que a inadimplência e o compulsório têm um impacto muito menor do que os bancos alegam.
Para ilustrar ainda melhor, vamos observar a mesma tabela em termos percentuais:
Decomposição do spread bancário (%)
Fica ainda mais claro o impacto do lucro dos bancos na “culpa” dos altos juros. Mais da metade do spread bancário (exatos 54,62%) é referente ao lucro dos bancos.
Outra informação muito relevante: enquanto o Custo Administrativo caiu quase 40% (de 20,42% para 12,56%, o Compulsório teve uma redução de quase 60% (de 9,40% para 4,08%) e a Inadimplência manteve-se praticamente estável, a Margem Brutapassou de 45,89% para 54,62%, entre 2004 e 2010.

Conclusão

A primeira e mais óbvia: a maior parte da culpa pelos juros altos é dos bancos. Isso é inegável, pois os números não mentem.
Então o que fazer para reduzir o spread bancário?
Por saber que a culpa é do lucro, o governo recentemente decidiu reduzir as taxas de juros cobradas pelos bancos públicos (Caixa e Banco do Brasil), para estimular a concorrência e “forçar” os bancos privados a fazerem o mesmo. E pelo visto isso tem dado certo, já que vários bancos também anunciaram reduções.
Entretanto será que outras medidas poderiam ser tomadas para reduzir ainda mais o spread bancário? Acredito que sim. Vamos a algumas:
  • “Apertar o cinto” na análise do crédito, para diminuir os empréstimos a maus pagadores e reduzir a inadimplência;
  • “Afrouxamento” do compulsório, permitindo que os bancos fiquem com mais dinheiro para operar e reduzindo o impacto do compulsório no spread;
  • Redução dos impostos, pois não adianta aumentá-los para “morder” o lucro dos bancos, se estes sempre repassam os impostos aos clientes.
Acredito que essas medidas poderiam reduzir ainda mais as taxas de juros cobradas no Brasil, uma das mais altas do mundo, por sinal.
Por fim, finalizo este artigo com a belíssima conclusão de Luis Nassif, no excelente artigo ‘A nova etapa da competição bancária‘:
Nos próximos anos, crescerão os bancos que conseguirem popularizar o varejo, atender à imensa legião desbancarizada e aos exército de novos empreendedores, que se seguirá à ascensão da nova classe C, a criar ferramentas de captação que compensem a queda de juros da poupança, a avançar nas novas regiões de crescimento dinâmico.
Será a maneira do setor bancário recuperar a legitimidade perdida, a ter uma função econômica relevante, garantindo seus lucros através dos ganhos de escala – não dos spreads escandalosos.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Forte queda nas ações em geral, forte queda nas ações do setor de construção

O mercado está agitado, com fortes quedas em todas as bolsas mundiais. No Brasil, com exceção de poucas empresas, como a Natura, as ações estão caindo muito. O setor de construção civil está sendo bastante penalizado, com ações da Gafisa, Rossi, MRV e PDGR estão com quedas acentuadas. A Crise está sendo focada na Europa, porém, o problema é geral. Este evento descentralizado poderá se tornar o catalizador para maiores quedas no setor imobiliário, porque é sistêmico e está afetando o setor financeiro. Logo, irá se espalhar e afetar mais os setores que estão mais fragilizados, como o setor imobiliário no Brasil que dependem de crédito.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Aprendi a investir em ações da bolsa de valores

Endividada, li sobre os investimentos e vi que as ações podiam render mais que a poupança


Foto: Marina Piedade
Com os rendimentos da bolsa quero garantir minha aposentadoria
Foto: Marina Piedade
Há oito anos, eu devia R$ 7 mil no cartão de crédito. Era mais de três vezes o meu salário. Eu gastava sem controle, especialmente em roupas e sapatos. Os juros tornaram a dívida impagável. Ao renegociá-la, recomendaram que eu aprendesse a gastar direito.

Comprei livros de finanças e vi que os juros, apesar de odiados por quem paga, aumentam os lucros de quem poupa. Fui aprender a fazer investimentos.

Aí, descobri as ações da bolsa de valores. Fiquei maravilhada ao saber que elas são uma pequena fração de uma empresa. Ao comprá-las, o acionista se torna um pequeno proprietário e recebe os lucros dessa empresa. Entendi que o valor da ação muda a cada instante porque depende da avaliação dos investidores sobre os rendimentos dessa empresa no futuro. Quando acham que o lucro vai aumentar, as ações sobem, e vice-versa. Mais interessante foi saber que qualquer pessoa pode comprar uma ação.

Nessa época, em 2002, acreditavam que o lucro das empresas brasileiras fosse acabar por causa da eleição do presidente Lula. Esse medo barateou demais as ações, mas eu não tinha um centavo para aproveitar as pechinchas. Prometi quitar as dívidas para poder investir.

Em abril de 2007, já tinha pago parte das minhas dívidas. Apesar de ler tudo sobre a bolsa, ainda tinha medo de investir errado e me endividar de novo. Mas resolvi arriscar.

Procure uma corretora antes de começar a negociar

Antes de investir na bolsa, abra uma conta em uma corretora, instituição financeira que compra as ações. Esses negócios são feitos por telefone ou site da corretora.

Quando uma ação é vendida, são as corretoras que pagam o investidor. Para isso, elas cobram taxas para comprar e vender ações e para guardar o dinheiro em segurança. Bancos também têm corretoras, mas prefiro investir com quem trabalha só com ações, porque pago taxas menores pelas transações.

Todas as corretoras estão no site da Bovespa. Veja algumas: XP: www.xpi. com.br, Socopa: www.socopa. com.br, Gradual: www.gradualinvestimentos.com.br, Ágora:www.agorainvest.com.br e Um: www.uminvestimentos.com.br  e XP Investimentos www.xpi.com.br.

Compro e vendo ações no computador

Liguei para uma corretora onde eu já tinha uma conta e consegui bons descontos nas taxas. Fechei o negócio no meu computador, por meio do site da corretora. É o que chamam de ''home broker''. Até hoje, é nesse site que vejo o preço das ações e como vão os investimentos.

Transformei R$ 350 em R$ 600 após 1 ano

Com R$ 350, comprei ações da Petrobras e Vale. Aprendi nos cursos que empresas grandes como essas despertam mais interesse dos investidores e suas ações são mais fáceis de negociar. Por isso são indicadas para iniciantes. E é fácil acompanhar o desempenho delas. Eu via só pela TV. Conferia meus lucros uma vez ao mês, no extrato da corretora.

E eles estavam ótimos! Um ano depois, eu estava com R$ 600! Se eu tivesse investido em poupança, teria só R$ 370. Ganhei 12 vezes mais! Usei a grana para pagar a última dívida do cartão, mas queria investir de novo.

É preciso ter calma e investir por anos

Aí, veio a crise econômica nos Estados Unidos, em setembro de 2008, que assustou os investidores por causa da queda nos lucros das empresas de todo o mundo. As ações ficaram muito baratas de novo. Como eu já tinha visto a recuperação da bolsa após uma crise, fui às compras. Em novembro de 2008, usei R$ 2 mil do 13º salário para comprar ações da Petrobras. Hoje elas valem R$ 3.500. Na poupança, esses R$ 2 mil seriam R$ 2.100.

Depois, comprei ações de outras sete empresas que valem hoje o dobro do investimento. Sei que essa é uma riqueza que pode desaparecer a qualquer momento, se houver outra crise. Por isso, sigo uma dica das palestras que frequentei para conhecer o mercado de ações: a bolsa é um investimento de retorno para mais de cinco anos. Só assim posso acompanhar o crescimento de uma empresa e usufruir dos lucros dela.

As mulheres se dão bem nesse aspecto: somos mais cautelosas e suportamos perdas financeiras rápidas. Mesmo assim, evito ficar muito tempo ligada no site onde confiro meus investimentos. Faço isso uma vez por dia. Nos fins de semana, planejo minhas compras futuras.

A bolsa garantiu minha estabilidade atual. No futuro, quero montar um clube de investimento, uma reunião de pessoas que compram as mesmas ações por um período pré-determinado e dividem as taxas e os lucros dessas ações. Para isso, é preciso pedir autorização para a bolsa e ter a supervisão de uma corretora. Vou me aposentar com a renda dos investimentos nas ações.